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Cultura

Muito além da inteligência: os caminhos das altas habilidades

TV Brasil · Por suzana.alves

(ontem)

Publicado originalmente em TV Brasil ↗ · Uso: Reprodução autorizada mediante indicação da fonte (Termos de Uso da EBC, item 1.e)

Imagem: TV Brasil
Notícias Caminhos da Reportagem 02/11/2026 - 23:00

Cerca de 5% da população mundial é superdotada, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, os dados do último Censo Escolar, de 2025, apontam que 56 mil estudantes foram identificados com altas habilidades. Mas, apesar de milhares de crianças e adolescentes apresentarem um desenvolvimento acima da média, o reconhecimento dessa condição ainda é um desafio.

Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem ainda na infância. Ler e escrever antes dos 2 anos de idade, por exemplo, é um feito raro que costuma surpreender qualquer família. Mas, para crianças com altas habilidades/superdotação, a facilidade para aprender é apenas uma parte da história. O desenvolvimento acelerado também pode vir acompanhado de dificuldades de adaptação, interação social e falta de compreensão sobre suas necessidades.

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 Divulgação/TV Brasil


O Caminhos da Reportagem vai mostrar histórias de crianças, famílias e especialistas para revelar que altas habilidades vão muito além da inteligência ou do desempenho escolar. A reportagem acompanha a trajetória de quem busca respostas e enfrenta os desafios de encontrar uma educação capaz de estimular diferentes formas de aprendizagem.

Acompanhamos a rotina do Fernandinho e vamos mostrar que, ao mesmo tempo em que apresenta um desenvolvimento cognitivo muito acima da média, ele enfrenta dificuldades de adaptação escolar e de interação social. Uma das metas definidas pela família para este ano resume esse desafio: "Falar com as pessoas", escreve o próprio Fernandinho em uma lousa.

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Fernandinho apresenta um desenvolvimento cognitivo muito acima da média - Divulgação/TV Brasil

Especialistas explicam que altas habilidades não são um diagnóstico nem se restringem a um QI elevado. Segundo o neurologista Raphael Spera, a condição pode aparecer em diferentes áreas. "É um cérebro mais conectado, com maior capacidade de fazer associações de ideias e aprender de forma muito mais rápida", afirma.

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Neurologista Raphael Spera - Divulgação/TV Brasil

Por aprender muito rápido, essas crianças acabam entediadas facilmente. O pensamento acelerado e hiperconectado de Gabriel, de 11 anos, fez com que ele passasse por 7 escolas diferentes antes de ter suas altas habilidades identificadas. A mãe, Aline dos Santos, conta que os problemas de comportamento eram consequência da falta de estímulos. "As atividades eram muito fáceis para ele. Não tinha desafio, não tinha motivação", relata.

Hoje, Gabriel resume a experiência com uma comparação: "Ser superdotado é como ser uma Ferrari numa estrada de 60 quilômetros por hora. A escola é a estrada e a gente é a Ferrari.”

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Gabriel, de 11 anos, e sua mãe, Aline dos Santos - Divulgação/TV Brasil


A descoberta nem sempre acontece na infância. O comediante, empresário e autor Maurício Meirelles só entendeu as próprias características já na vida adulta. Ele conta que, desde criança, tinha grande criatividade e interesses intensos por determinados assuntos. A descoberta veio depois de um período de dificuldades emocionais, quando buscou ajuda profissional e passou por uma avaliação. O resultado ajudou a explicar características que sempre fizeram parte da sua trajetória. "Meu QI é um QI de superdotado. Tenho 145, alguma coisa do tipo. E o meu cérebro, como ele é muito complexo, ele é muito acelerado. Não inteligente, deixando claro, mas muito acelerado", afirma.

Para Maurício, a superdotação também envolve desafios que nem sempre aparecem quando se fala sobre altas habilidades. "Altas habilidades, superdotado, faz parecer que você é um super-herói e você não tem uma questão por trás que é horrível. Se você quer mostrar de fato o que tem são altas frustrações. Tua cabeça vai para muitos lugares e você acaba sendo muito complexo e não desenvolvendo muitas coisas se você não se cuidar", relata.

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Comediante, empresário e autor Maurício Meirelles - Divulgação/TV Brasil

Além dos relatos das famílias, o Caminhos da Reportagem ouviu especialistas em saúde e educação para discutir os principais mitos sobre a superdotação, os desafios da identificação precoce e a necessidade de adaptar o ensino às diferentes formas de aprendizagem.

Ficha Técnica:

Reportagem: Ana Graziela Aguiar
Produção: Acácio Barros e Carolina Oliveira
Reportagem cinematográfica: JM Barboza
Auxílio técnico: Rafael Carvalho
Apoio à reportagem cinematográfica: Cadu Pinotti e Jefferson Pastori (São Paulo),  Marcio de Andrade (Rio de Janeiro) e Sigmar Gonçalves (Brasília)
Colaboração técnica: Caio Araujo (Rio de Janeiro),  Ivan Meira e Mauricio Marcelo Aurelio (São Paulo) e Raimundo Nunes (Brasília)
Edição de texto: Elisângela Marques
Edição de Imagem e finalização: Rodrigo Botosso
Artes: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia 

28/10/2026 - 16:40

   

Tags:  altas habilidades Superdotação desenvolvimento cognitivo

Ler no site da fonte: TV Brasil ↗