IA no jornalismo: como as redações brasileiras estão se adaptando e lutando pela sobrevivência
Observatório da Imprensa · Por Redação do OI
(há 1 hora)
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O avanço da Inteligência Artificial (IA) generativa transformou-se no debate mais crucial para o futuro da mídia. Em webinário promovido pelo Observatório da Imprensa em parceria com o grupo de pesquisa COM+ da ECA/USP, pesquisadores e líderes do setor discutiram como os veículos jornalísticos brasileiros incorporam a tecnologia e buscam saídas para uma crise de sustentabilidade que ameaça a própria existência da profissão.
Participaram do debate a Profa. Dra. Elizabeth Saad, professora da ECA/USP e líder do grupo de pesquisa COM+, o jornalista e professor da PUC Minas João Pedro Malar, o presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Marcelo Rech, e a diretora de Relações Institucionais da Ajor, Carla Egídio. O debate teve a mediação da editora do Observatório da Imprensa, Denize Bacoccina.
O evento marcou o lançamento do framework J-Core AI, modelo analítico desenvolvido pelo COM+ que mapeou as estratégias de veículos tradicionais e nativos digitais (veja aqui 18:31). A pesquisa demonstra que o jornalismo nacional caminha em velocidades distintas, enfrentando forte dependência das plataformas globais (21:46).
O Framework J-Core AI: as estratégias das redações
Apresentado pelo pesquisador João Pedro Malar, o framework divide o comportamento das empresas jornalísticas brasileiras face à IA em quatro perfis ideais:
Diversificadores de Receita: Focados em inovações incrementais (ganho de eficiência operacional e automação de rotinas) e na assinatura de acordos individuais de licenciamento com big techs (18:51). Exemplos: Folha de S.Paulo, Estadão e UOL.
Orquestradores Estratégicos: Adotam a IA de forma incremental internamente, mas rejeitam contratos individuais, defendendo que a remuneração de conteúdo ocorra por negociação coletiva setorial (19:45). Exemplo: Grupo Globo.
Desbravadores Independentes: Veículos nativos digitais de menor escala que apostam em inovações disruptivas (novos produtos e ferramentas próprias) (20:11). Como não possuem escala para atrair o interesse das grandes empresas de tecnologia, bloqueiam robôs de raspagem (crawlers) e apoiam leis de regulação. Exemplos: Aos Fatos, Núcleo Jornalismo e Agência Tatu.
Disruptores de Mercado: Quadrante que combinaria inovação disruptiva com contratos de licenciamento individuais (19:14). A pesquisa constatou que este perfil está vazio no Brasil atualmente.
Dependência tecnológica e perda de público
A líder do COM+, Profa. Dra. Elizabeth Saad, fez um alerta sobre as bases desse ecossistema: “Em todos os casos existe uma dependência da base tecnológica. A IA está bastante concentrada nesses provedores dos modelos de LLMs” (21:46). “É consensual entre os entrevistados que, do jeito que está, o jornalismo comercial como a gente conhece vai morrer”, disse João Pedro Mala. (1:10:49).
Para além do impacto nas redações, Carla Egídio, diretora de relações institucionais da Ajor, destacou o risco do isolamento da audiência dos veículos originais que apuraram a informação, conforme os buscadores passam a responder diretamente aos usuários com o uso de IA: “O usuário não cria uma identificação com aquele veículo, não cria uma relação de confiança. (…) O problema não é só o tráfego retido; é como estão condicionando o comportamento do usuário” (57:30).
Ofensiva jurídica: ANJ autoriza ações coletivas contra big techs
Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), classificou a IA sem contrapartida financeira como uma “ameaça existencial” e uma forma de “pirataria de conteúdos” (32:39). Rech criticou duramente os termos unilaterais impostos por corporações como a Meta para o treinamento de algoritmos (1:00:21): “Isso é apropriação indébita, imoral, ilegal, antiética. É uma imposição de dizer: ‘Vou roubar o conteúdo de vocês e, se vocês quiserem continuar com a gente, sintam-se roubados felizes'”.
Diante da recusa das plataformas em aceitar diálogos coletivos (1:13:00), Rech afirmou que a ANJ já possui autorização interna para mover ações judiciais coletivas contra empresas de IA no Brasil (40:58). O executivo defendeu que a saída global passa pelo judiciário e por um ecossistema tecnológico de microcobranças como o modelo dos streamings de música, permitindo que robôs paguem automaticamente ao acessar os textos das redações (1:02:33).
O Observatório como plataforma permanente de debates
A editora do Observatório da Imprensa, Denize Bacoccina, reforçou o compromisso do Observatório em atuar como uma plataforma de debates permanente sobre o jornalismo e a mídia (1:16:54), convidando o público a acompanhar as edições semanais no site, a newsletter de sexta-feira e os webinários mensais que seguem jogando luz sobre os temas mais urgentes da profissão.
Resumo feito utilizando a ferramenta Gemini, do Google, com edição humana.
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