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Cinco perguntas que todo profissional deve fazer antes de confiar na IA
Ferramentas de inteligência artificial escrevem rápido e com segurança, mas nem sempre com exatidão. Veja cinco perguntas que ajudam o profissional a decidir quando confiar no resultado e quando conferir.

Um jovem engenheiro pede a uma ferramenta de inteligência artificial o rascunho de um relatório técnico. O texto chega em segundos, bem organizado, com linguagem segura e uma norma citada no fim, que sustenta a conclusão. Ele cola o trecho no documento. Só depois, ao conferir, percebe que a norma não existe com aquele número. O caso é ilustrativo, mas o risco é real e cresce a cada ferramenta nova que chega ao mercado.
A tese desta coluna é simples: a inteligência artificial é útil, mas só merece confiança quando o profissional sabe responder a cinco perguntas sobre ela. Isso não significa desconfiar da tecnologia. Significa usá-la com critério, como qualquer instrumento de trabalho.
O assunto importa agora porque as ferramentas escrevem bem, e texto bem escrito costuma parecer correto. Fluência não garante exatidão. Em qualquer profissão em que um documento leva a assinatura de alguém, essa diferença pesa.
As cinco perguntas
1. De onde vem a informação? Toda afirmação importante precisa de uma fonte que possa ser aberta e conferida: uma norma, uma tabela oficial, um estudo. Se a ferramenta não indica a origem, ou indica uma que você não encontra, trate o dado como hipótese.
2. Quem confere? Antes de o resultado sair do computador, uma pessoa habilitada precisa ler, checar e aprovar. A IA pode propor. Quem decide é o profissional.
3. O que acontece com os dados que eu envio? Documentos de clientes, contratos e projetos podem ter sigilo. Leia a política da ferramenta e descubra se o conteúdo é armazenado ou reutilizado.
4. Quem responde se der errado? Em geral, quem assinou o documento. Isso vale para engenheiros, médicos, advogados e contadores. Saber disso antes muda a forma de usar a ferramenta.
5. Consigo refazer o caminho? Se um colega, um cliente ou um órgão de fiscalização perguntar como se chegou àquele resultado, é preciso explicar passo a passo. Guarde o pedido feito, a ferramenta usada e as fontes consultadas.
"Mas isso não tira a velocidade?"
É a objeção mais comum, e tem fundamento: parte do ganho da IA está em fazer rápido. Só que conferir uma fonte leva minutos, enquanto corrigir um documento já assinado e entregue pode levar semanas e abalar a credibilidade do profissional. A checagem é a parte do trabalho que a ferramenta não substitui.
Na minha área, orçamento e auditoria de obras públicas, essa lógica já é rotina: um preço sem fonte e sem data de referência não se sustenta diante da fiscalização. O mesmo raciocínio serve a qualquer outra profissão.
Quem aprende a fazer essas perguntas ganha tempo sem perder o controle. A inteligência artificial deve entrar no trabalho como entra um bom assistente: com tarefas claras, supervisão e um responsável com nome e assinatura.
Henderson Gomes é engenheiro civil e orçamentista, com atuação em orçamento e auditoria de obras.
Este texto é uma coluna de opinião e expressa a visão de quem assina, não necessariamente a do Brasil360.
