Virada de Lula: de onde vieram os 10,2 milhões de votos a mais no 2º turno
Diferença entre os dois girou 6,6 milhões de votos; Lula ficou com 73,7% dos votos que estavam em disputa, cresceu nos 27 estados e contrariou a média das pesquisas

Dados da totalização do TSE às 21:20 de 25/10/2026, com 99,82% das seções apuradas. Os números podem variar ligeiramente até o fim da totalização.
Entre o 1º turno, em 4 de outubro, e o 2º, em 25 de outubro, Lula (PT) ganhou 10,2 milhões de votos e Flávio Bolsonaro (PL), 3,6 milhões. A vantagem de 2.224.965 votos que Flávio tinha no 1º turno virou uma vantagem de 4.361.583 para Lula. Somadas, as duas diferenças dão um giro de 6,6 milhões de votos na margem entre os dois.
Ou seja, Lula não reverteu uma diferença de 10 ou 11 milhões de votos: esse número se aproxima do quanto ele cresceu (10,2 milhões), mas Flávio também ganhou votos no período. O que decidiu a eleição foi a divisão dos votos que estavam em disputa no 2º turno.
Os votos que estavam em disputa
No 2º turno, havia 13,9 milhões de votos válidos que não tinham ido para Lula nem para Flávio no 1º:
- 9,3 milhões dos eleitores dos demais candidatos do 1º turno: Augusto Cury (3,4 milhões), Renan Santos (2,7 milhões), Ronaldo Caiado (2,6 milhões), Romeu Zema (0,3 milhões) e outros seis candidatos (0,3 milhões).
- 4,6 milhões de votos válidos a mais no 2º turno. Mais gente foi votar: a abstenção caiu de 33.469.244 (21,1%) para 30.433.861 (19,2%). E brancos e nulos caíram de 5.975.047 para 4.146.498.
Desse total, Lula ficou com 73,7% (10,2 milhões) e Flávio com 26,3% (3,6 milhões). Como Flávio partia de uma vantagem de 2,2 milhões, essa divisão foi suficiente para a virada.
| 1º turno | 2º turno | Variação | |
|---|---|---|---|
| Lula (PT) | 53.879.538 | 64.113.797 | +10.234.259 |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 56.104.503 | 59.752.214 | +3.647.711 |
| Demais candidatos | 9.316.747 | – | – |
| Votos válidos | 119.300.788 | 123.866.011 | +4.565.223 |
| Brancos e nulos | 5.975.047 | 4.146.498 | -1.828.549 |
| Abstenção | 33.469.244 | 30.433.861 | -3.035.383 |
Um movimento em todo o país
Lula cresceu nos 27 estados, de 4,5 a 9,3 pontos percentuais dos votos válidos. Não há um ou dois estados fora da curva puxando o resultado: o padrão é de uma mudança distribuída por todo o território.
Em três estados (Amazonas, Maranhão e Tocantins), Flávio teve menos votos no 2º turno do que no 1º. Nesses estados, Lula cresceu mais do que todo o voto que estava em disputa, sinal de que parte do eleitorado de Flávio mudou de voto ou deixou de votar.
O maior crescimento de Lula foi em Goiás (+9,3 pontos), estado de Ronaldo Caiado, que teve 12,3% dos votos válidos ali no 1º turno.
A parte do voto em disputa que ficou com Lula variou muito entre as regiões: foi maior no Nordeste e no Norte e menor no Sul e no Centro-Oeste.
| Estado | Votos em disputa | Lula ganhou | Flávio ganhou | Parte de Lula | Lula vs. 1º turno |
|---|---|---|---|---|---|
| São Paulo | 3.804.017 | 2.598.630 | 1.205.387 | 68,3% | +7,9 p.p. |
| Minas Gerais | 1.591.685 | 1.139.444 | 452.241 | 71,6% | +7,1 p.p. |
| Rio de Janeiro | 1.072.574 | 871.508 | 201.066 | 81,3% | +7,5 p.p. |
| Bahia | 920.921 | 773.443 | 147.478 | 84,0% | +5,1 p.p. |
| Paraná | 857.970 | 511.884 | 346.086 | 59,7% | +6,2 p.p. |
| Rio Grande do Sul | 829.803 | 529.522 | 300.281 | 63,8% | +6,4 p.p. |
| Goiás | 686.153 | 395.012 | 291.141 | 57,6% | +9,3 p.p. |
| Pernambuco | 635.830 | 546.837 | 88.993 | 86,0% | +5,7 p.p. |
| Ceará | 535.131 | 474.576 | 60.555 | 88,7% | +5,6 p.p. |
| Santa Catarina | 511.197 | 291.146 | 220.051 | 57,0% | +5,5 p.p. |
| Pará | 292.075 | 258.537 | 33.538 | 88,5% | +5,1 p.p. |
| Paraíba | 286.517 | 252.735 | 33.782 | 88,2% | +6,2 p.p. |
| Maranhão | 222.142 | 233.480 | -11.338 | 105,1% | +5,5 p.p. |
| Distrito Federal | 214.881 | 147.797 | 67.084 | 68,8% | +7,6 p.p. |
| Espírito Santo | 212.949 | 151.857 | 61.092 | 71,3% | +5,9 p.p. |
| Rio Grande do Norte | 192.549 | 175.633 | 16.916 | 91,2% | +6,0 p.p. |
| Mato Grosso do Sul | 165.667 | 111.720 | 53.947 | 67,4% | +5,7 p.p. |
| Alagoas | 165.156 | 156.953 | 8.203 | 95,0% | +6,0 p.p. |
| Mato Grosso | 163.834 | 111.732 | 52.102 | 68,2% | +4,7 p.p. |
| Sergipe | 148.112 | 132.720 | 15.392 | 89,6% | +6,8 p.p. |
| Piauí | 138.436 | 129.736 | 8.700 | 93,7% | +4,9 p.p. |
| Amazonas | 94.505 | 97.049 | -2.544 | 102,7% | +5,8 p.p. |
| Rondônia | 65.173 | 43.779 | 21.394 | 67,2% | +4,5 p.p. |
| Tocantins | 31.110 | 36.149 | -5.039 | 116,2% | +5,2 p.p. |
| Roraima | -2.562 | 9.085 | -11.647 | – | +4,7 p.p. |
| Amapá | -3.139 | 10.465 | -13.604 | – | +7,2 p.p. |
| Acre | -5.349 | 9.743 | -15.092 | – | +4,7 p.p. |
Quando a parte de Lula passa de 100%, Flávio perdeu votos em relação ao 1º turno. No Acre, no Amapá e em Roraima, o número de votos válidos caiu, porque a abstenção subiu, e a conta não se aplica.
As pesquisas apontavam o contrário
A média das 17 pesquisas nacionais registradas no TSE depois do 1º turno, calculada pelo Brasil360 na véspera da votação, dava 51,02% para Flávio e 48,98% para Lula nos votos válidos. O resultado ficou em 51,76% para Lula e 48,24% para Flávio, uma diferença de cerca de 2,8 pontos para cada candidato em relação à média. Das 17 pesquisas, só a Vox Brasil tinha Lula à frente, e o Datafolha registrava empate.
O que os números não dizem
Os dados do TSE mostram saldos por estado, não o caminho de cada eleitor. O voto é secreto. Por isso não é possível afirmar, com estes números, que o eleitor de um candidato específico do 1º turno votou em Lula ou em Flávio no 2º. O que se pode afirmar é o resultado da soma: os votos dos demais candidatos, os eleitores que voltaram às urnas e a queda de brancos e nulos favoreceram Lula na proporção descrita acima.
Durante toda a apuração, o monitoramento do Brasil360 sobre os arquivos de divulgação do TSE não registrou anomalias técnicas.
Como os números foram calculados
Os dados são dos arquivos oficiais de divulgação do TSE (resultados.tse.jus.br): o resultado final do 1º turno e a totalização do 2º turno no horário indicado no início do texto. "Votos em disputa" é a soma dos votos válidos dos demais candidatos do 1º turno com o aumento de votos válidos entre os dois turnos. "Parte de Lula" é o crescimento de Lula dividido por esse total. A abstenção é calculada sobre o eleitorado das seções apuradas.
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