Democracia em família: no 2º turno, eleitores levam a bandeira e os filhos para as urnas
Constituição garante a liberdade de expressão e trata a família como base da sociedade; no dia da votação, a lei permite a manifestação individual e silenciosa do eleitor

Avó, pais e uma menina no colo. No elevador, a caminho da seção eleitoral, a família estende a bandeira do Brasil e posa para a foto. Cenas assim se repetem neste domingo (25), dia do 2º turno, em todo o país: o voto que muita gente transforma em programa de família.
São 158.745.502 eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para muitos deles, a ida à urna é feita em grupo, com filhos e netos que ainda não votam, mas já acompanham.
A família na Constituição
A Constituição de 1988 trata a família como "base da sociedade", com especial proteção do Estado, no artigo 226. É também no ambiente familiar que muita gente tem as primeiras conversas sobre política, ouve as primeiras opiniões e aprende que o voto é um direito e um dever.
O voto no Brasil é obrigatório para quem tem de 18 a 70 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, para maiores de 70 e para analfabetos, como define o artigo 14 da Constituição. Na prática, cada família reúne gerações com regras diferentes diante da urna: o adolescente que vota pela primeira vez por escolha, os pais que votam por obrigação e os avós que continuam votando mesmo quando a lei já os dispensa.

Liberdade de expressão também no dia da eleição
A Constituição garante a livre manifestação do pensamento (artigo 5º, inciso IV) e a liberdade de expressão "independentemente de censura ou licença" (artigo 5º, inciso IX). Essas garantias valem também no dia da votação, com limites definidos pela Lei das Eleições.
O artigo 39-A da Lei 9.504/1997 permite, no dia da eleição, a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor, revelada pelo uso de bandeiras, broches, dísticos e adesivos. O que a lei proíbe é a manifestação coletiva, com aglomeração de pessoas, e a chamada boca de urna, que é crime eleitoral. Ou seja: cada eleitor pode mostrar o que pensa, desde que em silêncio e sem tentar convencer ninguém na fila.
A bandeira nacional, por sua vez, não pertence a partido nem a candidato. É símbolo de todos os brasileiros, e o seu uso pelo cidadão é livre, desde que respeitoso.
Democracia se aprende em casa
Levar os filhos para a seção eleitoral é uma das formas mais simples de ensinar como funciona a democracia: a fila, o documento, a cabine e o voto secreto. Muitas famílias aproveitam o dia para explicar que, na urna, o voto de cada pessoa tem exatamente o mesmo peso, qualquer que seja a idade, a renda ou a opinião.
Divergir faz parte desse aprendizado. Na mesma casa, não é raro que pais e filhos, irmãos ou avós votem de formas diferentes. A democracia funciona justamente porque essa diferença é resolvida pelo voto, e não pela força, e porque, depois da apuração, todos continuam sendo família.
Serviço
A votação vai até as 17h (horário de Brasília). Depois disso, o Brasil360 acompanha a apuração do 2º turno em tempo real, com os números oficiais do TSE e o comparativo com o 1º turno, em brasil360.online/eleicoes.
Fotos: arquivo pessoal, publicadas com autorização.