Vitória democrata nos EUA pode colocar freios nos tech bros
Núcleo Jornalismo · Por Sérgio Spagnuolo
(há 1 hora)
Publicado originalmente em Núcleo Jornalismo ↗ · Uso: CC BY-ND 4.0 (programa de republicação para veículos de jornalismo)


A aproximação de bilionários de tecnologia com o segundo mandato de Donald Trump, no começo de 2025, aconteceu aos olhos de todos: doações, presentes, jantares e qualquer outro tipo de puxação de saco que você possa imaginar.
Por mais grotesca que essa aproximação possa parecer, do ponto de vista dos interesses dos bilionários de tecnologia, ela faz todo sentido. Afinal, se por um lado o favor de Trump é conquistado com muita bajulação, de outro o Partido Republicano abomina regulação de empresas e adora o dinheiro de campanha que eles trazem – algo que vai bem em linha com o que as Big Techs querem do governo: apoio e nada mais.
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Quero apoiar o NúcleoBilionários de tecnologia começaram, então, a tentar comprar soluções pra seus problemas em vez de tentar resolvê-los em debates com a sociedade e o próprio governo, algo que o site The Verge chamou de "gangster tech regulation".
Mas a vitória acachapante do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA, que levou o partido ao comando soberano da Câmara e do Senado, colocou os techno bros em uma situação mais delicada, na qual o campo progressista pode unilateralmente começar a criar novas regulações para incomodar essas empresas pelo que elas fizeram nos últimos dois anos.
Segundo Adi Robertson, do The Verge:
Os democratas não apenas venceram na Câmara e no Senado, conquistaram cadeiras que eram consideradas improváveis ou completamente impossíveis seis meses atrás: Texas tem um senador democrata e um governador democrata. Trump continua sendo presidente, mas no Congresso, os democratas estarão capacitados para lançar investigações e convocar executivos de tecnologia para audiências, e terão alavanca para negociar sobre projetos de lei orçamentários e de defesa. E o contragolpe eleitoral, é claro, não augura bem para as perspectivas dos republicanos de manter a presidência em 2028.
Ao se aproximar da extrema direita nos Estados Unidos, os tech bros irritaram não apenas congressistas democratas, mas também muitos de seus usuários e clientes na sociedade norte-americana, ao acharem que poderiam comprar uma saída para seus problemas.
Muitas dessas pessoas querem uma resposta, como tem acontecido, por exemplo, com a questão de data centers no país, ou com acordos muito estranhos que não apenas resolveram tretas jurídicas, mas também trouxeram executivos às mesas de jantar da Casa Branca.
O YouTube, por exemplo, pagou mais de US$24 milhões em um acordo judicial com Trump e seus aliados, algo que muitos torceram o nariz e acusaram até de suborno. Vale notar que o Google está envolvido em um monte de processos e ações regulatórias nos EUA por conta de sua posição monopolista no mercado de buscas e anúncios digitais.
A lista não para por aí, e inclui momentos problemáticos como Elon Musk à frente do famigerado DOGE, Apple pedindo isenções de tarifas e Meta, OpenAI e Anthropic tentando evitar regulação de IA e sobre data centers. Há muitos mais casos.
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Saiba maisPor enquanto, os riscos para os bilionários do Vale do Silício ainda são baixos: o Legislativo nos EUA há anos tem sido imprestável em criar novas regulações sobre Big Tech, e muitos congressistas democratas são aliados. Os EUA sequer possuem uma regulação de privacidade de dados.
Mas, se existe um momento para agir, é nesse momento quando o mesmo partido acabou de conquistar um poder legislativo pelos próximos dois anos que é raro de acontecer, com uma maioria folgada em ambas as casas.
Com a reeleição do presidente Lula, o governo brasileiro deve ficar atento às movimentações norte-americanas, a fim de pressionar o Congresso e as agências reguladoras no Brasil.
O PL das Fake News pode ter ido por água abaixo, e o Congresso brasileiro está mais conservador do que nunca, mas se os ventos lá de fora começarem a empurrar com força o barco da regulação nos EUA, talvez haja alguma esperança de que as Big Techs tenham que prestar mais contas por aqui também.
Análise Sérgio SpagnuoloArte Aleksandra Ramos
Edição Alexandre Orrico


