Urna eletrônica completa 30 anos de história no Brasil
TV Brasil · Por leyberson.pedrosa
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Fim das fraudes manuais; desafio agora é a desinformação Repórter Brasil 03/10/2026 - 19:00
Neste sábado, 3 de outubro, a urna eletrônica completa 30 anos. É impossível pensar na história do voto no Brasil sem lembrar das fraudes que marcavam as eleições no passado. Isso acabou após a instalação do sistema de voto eletrônico, que deu mais confiança e agilidade ao pleito no país.
Desde a independência do Brasil, desvios e manipulações acompanharam o voto em cédula. Na República Velha, o cabresto favorecia candidatos das elites. No século 20, entre vários episódios, a empresa Proconsult, contratada pela Justiça Eleitoral, subtraiu votos de Leonel Brizola na disputa pelo governo do Rio. O pedetista foi eleito após a imprensa revelar a fraude. Nos anos seguintes, as fraudes foram inovadas, e a "urna emprenhada" e a "mão mágica" foram algumas delas. Tudo dependia de procedimentos manuais.
De acordo com o coordenador de tecnologia eleitoral do TSE, Rafael Azevedo, os procedimentos manuais levavam as pessoas a errar sem querer ou a agir deliberadamente para favorecer um candidato ou outro.
Até que a urna eletrônica se tornasse realidade, houve diversas propostas e tentativas de informatizar o voto desde os anos 1950. Alguns modelos eram complicados demais ou prometiam mais do que cumpriam. Em 1996, o Brasil adotou pela primeira vez o equipamento. Naquele ano, as eleições municipais foram informatizadas para aproximadamente 30% do eleitorado. O primeiro pleito completamente realizado com a urna eletrônica foi o das eleições municipais de 2000.
Era preciso que a plataforma fosse segura, inviolável, superasse os desafios logísticos do país e fosse, ao mesmo tempo, de simples utilização. De acordo com Giuseppe Janino, um dos criadores do dispositivo, a urna deveria ser um equipamento de bloco único, com teclado, vídeo e unidade central de processamento (CPU) no mesmo dispositivo, para facilitar a logística. Ela também deveria funcionar sem energia elétrica, o que, segundo ele, ainda é o caso atualmente de muitas aldeias indígenas no norte do país, onde não há essa fonte de energia. Por fim, precisava estar dentro da possibilidade econômica do país, ou seja, ter baixo custo.
Todos os softwares desenvolvidos pela Justiça Eleitoral são disponibilizados para verificação de diversas instituições um ano antes do pleito. Depois da observação, eles são lacrados. Entre os mecanismos de proteção à integridade da urna eletrônica está o fato de ela ter código aberto, que pode ser conferido por todos. A urna não está conectada à internet, ao bluetooth ou a nenhuma outra rede, o que impede ataques à distância. As informações em cada unidade são criptografadas, além de aproximadamente outras 30 barreiras de segurança.
De acordo com Rafael Azevedo, mesmo que um eventual atacante esteja de posse da urna e consiga abri-la, não conseguirá adulterá-la, porque o equipamento tem proteções físicas. Ao perceber qualquer alteração, a urna deixa de funcionar, como se fosse um castelo de cartas.
Outro avanço democrático proporcionado pela urna eletrônica foi a acessibilidade. Com um processo simplificado, com som, nome e foto do candidato, teclado em braille e recursos em Língua Brasileira de Sinais (Libras), a urna se tornou um caminho para garantir o sufrágio universal previsto na Constituição.
Azevedo também explica que teclado da urna tem a mesma disposição de um teclado de telefone, o que foi muito importante na época da informatização, porque o eleitor com baixa instrução podia copiar o voto e apertar a tecla verde.
A urna eletrônica fez do Brasil uma referência internacional de lisura e agilidade de apuração. O maior desafio do sistema agora não está na resistência a ataques cibernéticos, mas no combate à desinformação.
Na avaliação de Giuseppe, a fraude cibernética é, até o momento, inviável. Por isso, argumenta o criador, quem tenta atingir a urna eletrônica, a Justiça Eleitoral e a democracia busca outra alternativa: atingir a imagem do sistema por meio da desinformação e com isso perdem os brasileiros, que se autodesqualificam em um processo que é referência para o mundo, e perde, acima de tudo, a democracia.
04/10/2026 - 08:00 Tags: Repórter Brasil eleições 2026Ler no site da fonte: TV Brasil ↗
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