Summit Pequeno Príncipe debate herança paterna, telessaúde e inteligência artificial na pediatria
Agência Bori
(há 1 hora)
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Primeira edição do evento, em Curitiba, marca os 20 anos do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe
A saúde das crianças atravessa várias transições ao mesmo tempo: mudam o perfil das doenças, a alimentação, o planeta, a saúde mental e o modelo de cuidado. O diagnóstico, do médico Jacques Riviere, do Hospital Vall d’Hebron, de Barcelona, abriu as palestras do Summit Pequeno Príncipe – Biotecnologia e Inovação em Saúde da Criança e do Adolescente, realizado de 5 a 7 de outubro em Curitiba. Em dois dias, pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos, da Espanha e de Portugal discutiram desde o que acontece antes da concepção até o uso de inteligência artificial na pediatria.
O evento, que marca os 20 anos do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, uniu duas atividades que já existiam: o seminário anual de projetos do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Aplicada à Saúde da Criança e do Adolescente e a feira de inovação do Complexo. “Com essa união conseguimos elevar o nível das palestras e o nível da feira”, diz Daniele Maria Ferreira, pesquisadora do Instituto, vice-coordenadora do programa e organizadora do evento. Parte dos custos foi coberta por edital da Fundação Araucária.
Antes do nascimento
A saúde de um bebê costuma ser associada à gravidez e à mãe. Sônia de Assis Shepard, do Georgetown University Medical Center, voltou a atenção para o pai e para o período anterior à concepção. Ela apresentou pesquisas sobre RNAs do espermatozoide, moléculas sensíveis ao ambiente que podem afetar o desenvolvimento do embrião e do feto. Em experimentos do grupo dela com camundongos, os filhotes de machos expostos ao agrotóxico DDT antes da concepção nasceram menores.
Nuno Gonçalo, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Porto, aproximou código genético e código postal para tratar de injustiça ambiental. Ele defendeu que os estudos deixem de se apoiar apenas no adulto saudável de 70 quilos e em compostos testados isoladamente.
Outra ameaça anterior ao parto é a toxoplasmose congênita. Segundo Marcelo Biondaro Gois, da Universidade Federal de Rondonópolis, o Brasil está entre os países mais afetados pela doença. A infecção na gravidez pode interromper a gestação ou acompanhar a criança por toda a vida.
O cuidado que chega ao paciente
Rafaela Wagner, médica do Hospital Pequeno Príncipe, apresentou projetos de telessaúde em municípios sem acesso a atendimento pediátrico, como Iguape (SP) e Manicoré (AM). Segundo ela, a teleconsulta permite resolver casos no próprio local, sem depender do transporte do paciente até outra cidade.
A dor foi o assunto de Patrícia Rodrigues, da Universidade Federal de Santa Maria. Pacientes com câncer descrevem sensações de agulhadas e facadas que chegam a afastá-los do tratamento. A pesquisadora explicou que medir a intensidade não basta: ela diz o quanto dói, não por quê. A neurociência do câncer investiga, por exemplo, por que nem todo tumor causa dor.
Pesquisa em rede e a próxima década
Fátima Padoan, coordenadora de Ciência e Academia da Fundação Araucária, apresentou os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs), modelo em que o Paraná organiza a pesquisa em redes que reúnem academia, governo, empresas e sociedade. Entre os exemplos citados estão o NAPI Genômica e o Mamarisk, projeto de um classificador nacional de risco de câncer de mama. Participaram também David Livingstone, do Instituto para Pesquisa do Câncer, e Larissa Magalhães Alvarenga, da Universidade Federal do Paraná.
Na mesa de encerramento, Emilia Modolo Pinto, do St. Jude Children’s Research Hospital, nos Estados Unidos, apontou desafios para a próxima década, como sair dos dados fragmentados para sistemas que acompanhem os pacientes ao longo do tempo e conciliar prazos com rigor científico: quando a velocidade vira prioridade, evidências frágeis se propagam. Sobre inteligência artificial, ela recomendou construir primeiro o ambiente em que a ferramenta seja útil e nunca começar por ela.
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