Seu voto, sua voz: o combate à desinformação nas eleições
TV Brasil · Por suzana.alves
(há 2 dias)
Publicado originalmente em TV Brasil ↗ · Uso: Reprodução autorizada mediante indicação da fonte (Termos de Uso da EBC, item 1.e)
Repórter Brasil Tarde 01/10/2026 - 12:15
O combate à desinformação nas eleições é uma das grandes preocupações de partidos políticos, Justiça Eleitoral e sociedade civil, há alguns pleitos. Conteúdos enganosos podem impactar de forma definitiva as candidaturas, mudando os rumos do país. Por isso, é tão importante o papel do eleitor para evitar a propagação de notícias falsas. Veja no penúltimo episódio da série Seu Voto, Sua Voz.
“Eu recebo muitos conteúdos falsos não só no whatsapp; no Instagram, Youtube tem muita coisa falsa. Eu confesso que às vezes me deixo empolgar e repasso, depois eu falo ‘ah, isso é IA’”, conta o músico Billie Brandão.
Na internet, a mentira não tem perna curta. Ela se espalha rápido, vai longe. Na pressa do dia-a-dia, a gente pode acabar repassando aquela notícia ou vídeo duvidoso. Por isso, um dos grandes desafios é frear a propagação desses conteúdos enganosos antes que eles causem estragos irreversíveis.
Para Ethel Rudnitzki, repórter da Agência Lupa, “o WhatsApp sempre é uma rede social que a gente sabe que é muito influente, mas ao mesmo tempo, ela também é um pouco uma caixa preta. Você não consegue saber quantos grupos tem, quantas pessoas estão falando ali porque cada mensagem é criptografada nesse ano não é a rede, específico, mas são as ferramentas de IA que estão incorporadas muitas das vezes. Então, o X tem o Grok; a Meta, o Instagram, Facebook; tem a Meta AI, que também permite que você faça geração de conteúdo dentro da própria plataforma. E isso é uma coisa que a gente está vendo como novidade para as eleições desse ano”.
O papel dos influenciadores digitais deve ser novamente de destaque na campanha política deste ano. O TSE permite que pessoas físicas e perfis com grande audiência publiquem propaganda eleitoral espontânea. Mas, não é permitido impulsionar ou fazer disparo em massa de conteúdo, nem receber pela publicação.
“Não necessariamente é algo explícito, que eles mencionem os nomes dos candidatos, mencionem os nomes dos partidos ou das coalizões, mas a gente percebe que eles vão de alguma forma apoiando agendas, insinuando e conduzindo aquela comunidade de seguidores a um determinado voto, a uma determinada visão de mundo. E isso tem um efeito político enorme”, afirma a fundadora e diretora do NetLab UFRJ, Marie Santini.
A lei diz que divulgar informações sabidamente falsas durante a campanha para influenciar eleitores é crime (art. 323 do Código Eleitoral), com pena de detenção de dois meses a um ano ou multa. Se o crime for praticado via rede social, internet ou mídia de massa, a pena é aumentada de um terço até a metade.
Para Bruno Mattos, coordenador de projetos e pesquisas do NetLab/UFRJ, “há uma transferência de responsabilidade muito grande a quem publica, ao usuário final, e pouca responsabilidade compartilhada com o provedor online. No caso, principalmente as grandes plataformas digitais, as grandes redes sociais que têm uma responsabilidade na criação, na circulação e na amplificação de conteúdo”.
A coordenadora de pesquisa do Netlab/UFRJ, Débora Sales, explica: “muito do que a gente vem pedindo para ser implementado no Brasil já foi implementado fora do país. Mas as plataformas entendem que essa transparência é um risco para o modelo de negócios dela. Então, elas tentam com unhas e dentes impedir a obrigação de transparência, principalmente na publicidade”.
A Justiça Eleitoral criou há seis anos o Fato ou Boato, onde é possível pesquisar se uma notícia é totalmente ou parcialmente falsa. Também existe o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral, o Siade, que analisa e envia os conteúdos falsos ou enganosos para avaliação das plataformas digitais ou de órgãos competentes. O eleitor dispõe ainda do aplicativo Pardal, para denúncias de propaganda eleitoral irregular e desinformação.
“A gente é tanto demandado por essas agências de checagem, que ajudam a gente a identificar essas desinformações que estão circulando, e a gente consegue trazer informações e fatos para municiar essas agências de checagem de informações que sejam sobre o sistema eletrônico de votação e o sistema eleitoral como um todo”, diz Tatiana Cochlar, secretária de Comunicação e Multimeios do TSE.
Ethel Rudnitzki, repórter da Agência Lupa afirma que “tem algumas desinformações sobre urnas eletrônicas que apesar de a gente desmentir dentro de quatro anos, as vezes dali dois, dependendo da eleição, ela vai surgir novamente. Esse ano, por exemplo, teve um relatório da CIA que foi divulgado pelos Estados Unidos falando da Smartmatic, relacionando ela ao TSE e às eleições brasileiras. Mas a Smartmatic nunca forneceu urnas para o Brasil. Isso a gente já desmente desde 2018”.
A desinformação é um fenômeno em escala industrial. E reduzir sua força exige regulação do ambiente digital. Mesmo assim, o usuário também pode dar a sua contribuição.
A fundadora e diretora do NetLab UFRJ, Marie Santini explica: “o usuário tem que sair de uma situação passiva de a informação vai chegar até a mim. Aquilo que for relevante vai chegar até mim como se fosse assim. E entender que é preciso ser engajado e ativo e buscar a informação nas fontes oficiais para tentar entender o que de fato está circulando e dentro do que está circulando, o que é legítimo e o que não é legítimo”.
Com tanta desinformação circulando, cada um vai buscando seu jeito para se informar melhor.
A empreendedora Brenda Araujo conta: “eu busco na internet, no google, vejo reportagem... vou pesquisando pra ver o que é o melhor”.
“Acho que nem tudo que é verdade colocam na internet. A gente tem que aprofundar mais pra saber sobre o candidato em si”, comenta o técnico de enfermagem Glaucio da Silva.
Claudia Adriana Galeti, que trabalha como caixa de supermercado diz: “a gente tem bastante instrução, tá aí pra todo mundo ver, tem nas tvs, tão falando toda hora, aí a gente já fica mais atento, mas tem que estar ligado toda hora”.