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Cultura

Seu Voto, Sua Voz: a representação de negros e quilombolas

TV Brasil · Por suzana.alves

(há 4 dias)

Publicado originalmente em TV Brasil ↗ · Uso: Reprodução autorizada mediante indicação da fonte (Termos de Uso da EBC, item 1.e)

Notícias

Repórter Brasil Tarde 29/09/2026 - 12:15

Mais de 20 milhões de eleitores se declararam pretos e pardos este ano. É o maior número já registrado no cadastro eleitoral. Negros também são maioria nas candidaturas: são 49,9% dos postulantes. Mas esse número ainda não chega na mesma proporção entre os vencedores nas urnas. Neste episódio da série "Seu Voto, Sua Voz", vamos mostrar a representatividade negra e quilombola nos cargos eletivos. 

A maioria do Brasil é negra. É o que aponta o Censo de 2022 do IBGE. Pretos e pardos são 55,5% da população. Mas eles não estão representados politicamente na mesma proporção. Uma pesquisa mostrou que o eleitor não considera a agenda antirracista uma questão central na hora de escolher um candidato. E que baseia a escolha do candidato mais pelo mérito ou pelo que julgam como "valores e competência" do que pela raça.

“Tem uma parte de candidatos pardos que eu me identifico, mas depende muito da política pública da cada candidato”, diz Evelyn Lopes, instrumentadora cirúrgica.

Marcos Antônio Dionísio, que é fuzileiro militar aposentado, afirma: “eu priorizo escolher pessoas que tenham lealdade com o povo. Pessoas que tenham vontade de fazer com que o país avance”.

O vendedor Alex Natan Moreira de Jesus explica: “eu acho que o negro tem que ocupar os espaços dentro da sociedade, dentro do Congresso Nacional, e também acho que deveríamos um dia ter um presidente negro”.

Há apenas seis anos, o país instituiu oficialmente ações afirmativas para candidaturas negras. Em 2020, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou aos partidos a distribuição de recursos públicos de campanha e do tempo de propaganda gratuita nos meios de comunicação proporcionalmente ao número de candidatos pretos e pardos, respeitando-se a reserva mínima de 30%. Mas, as reservas não foram cumpridas por 80% dos partidos.

Para o professor titular de Ciência Política do IESP/UERJ João Feres, “você tem essa cota, mas você não tem um critério de distribuição dentro de cada partido das verbas, entendeu? Então, por exemplo, toda cota pode ir para um candidato só ou para dois candidatos e todo o resto ficar sem”.

Ainda assim, o número de pessoas negras que assumiram mandatos aumentou nas últimas eleições municipais. Em 2020, cerca de 32% dos prefeitos eleitos no país se autodeclararam negros, incluindo pretos e pardos (cerca de 1,7 mil prefeitos). Apesar dos números, a desigualdade persiste: entre candidatos eleitos em 2020, 53,56% são brancos. Negros eleitos estavam na parcela de pouco mais de 6% dos vencedores nas urnas. Mulheres negras enfrentam ainda mais dificuldades. Entre as candidatas em 2024, apenas 7,19% assumiram mandatos.

“Eu mesmo fui uma pessoa que foi ameaçada durante uma campanha aonde eu tive que sair da minha cidade, fiquei quatro meses fora no programa de proteção. Assim como outros quilombolas a nível nacional também que sofrem as ameaças”, conta Bia Nunes, presidente da Associação das Comunidades Quilombolas do Rio de Janeiro.

Remanescentes de quilombos são uma minoria dentro de um grupo minorado em representatividade política. As candidaturas só puderam ser autodeclaradas quilombolas nas últimas eleições municipais de 2024. A mudança veio com uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com as informações do TSE, 385 autodeclarados quilombolas se elegeram em todo o Brasil em 2024: 17 prefeitos, 37 vice-prefeitos e 331 vereadores, entre eles, 79 mulheres e 302 homens.

A maioria desses espaços ainda luta pelo reconhecimento oficial e pela titulação como quilombos pelo Estado brasileiro. O Quilombo Sacopã, que resiste há quase um século nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, conquistou a titulação em 2024.

Segundo Luiz Sacopã, líder do quilombo Sacopã, “depois de aproximadamente quase 50 anos de luta, nós conseguimos do Governo Federal o decreto que nos dá o direito a ao domínio da terra, porque a base do quilombola, o quilombola não ele não fica proprietário da terra, né?”.

Novas candidaturas quilombolas ainda são contidas por diversas formas de violência. Jurandy Pacífico, filho de Mãe Bernadete, líder quilombola assassinada, desistiu de concorrer este ano a deputado federal pelo estado da Bahia por motivo de segurança. Nas palavras do ex-candidato, por não poder "adentrar todos os lugares".

“Ali a gente já tem um contexto da prática, porque foram dois assassinatos em uma única família, né? Que é a mãe e o irmão. Quando uma pessoa, principalmente quando ela é liderança, quando uma pessoa quilombola, ela está ameaçada, o território está ameaçado, né? Então você é uma preocupação não somente individual, pessoal, mas é uma preocupação coletiva. É mais uma ameaça, né? É mais um enfrentamento”, diz Bia Nunes, presidente da Associação das Comunidades Quilombolas do Rio de Janeiro.

Quilombolas em suas tradições propõem ainda diversos temas sensíveis na agenda política. “Eu acho que a pessoa tem que se basear no conhecimento, saber das pessoas que realmente aquela pessoa vai nos representar, se vai cortar essa barreira desse racismo que tá implantado dentro do nosso país há 400 anos, 500 anos e que possa deixar a gente um pouco mais feliz para ter uma igualdade é racial, uma igualdade social, coisa que a gente realmente não tem”, diz Luiz Sacopã.

“Quanto mais desconhecimento a população tem de entender quem é essa população, a história dessa população, mais dificulta que a gente avance nas políticas públicas relacionada a essa população quilombola. Então, o sonho que a gente tem, é uma educação quilombola que contemple a história do Brasil de fato”, completa Bia Nunes.

A reportagem diz que mais de 20 milhões de eleitores se declaram pretos e pardos, mas a gente lembra que a maior parte dos eleitores (140 milhões) não faz ou não fez a autodeclaração.

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Tags:  eleições 2026 Seu voto Sua Voz eleitores pretos e pardos negros quilombolas

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