Serra da Capivara: A Pré-História em Cena
TV Brasil · Por suzana.alves
(há 2 horas)
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No Dia do Piauí, o Caminhos da Reportagem exibe uma produção da TV Antares e revela a história e as belezas do Parque Nacional Serra da Capivara. Em meio a paredões que guardam as marcas do tempo, as pinturas rupestres resistem há milhares de anos e revelam vestígios da presença dos primeiros habitantes do nosso continente.
Inscrições rupestres do parque datam de 3 mil a 12 mil anos - Divulgação/TV Brasil
Patrimônio mundial pela Unesco o parque tem cerca de 129 mil hectares, que equivalem a quase 80 mil campos de futebol e possui mais de mil sítios arqueológicos catalogados. Ali, ciência, natureza e cultura conduzem os visitantes a um novo capítulo da história repleto de pinturas rupestres, formações geológicas e sítios arqueológicos. As pinturas preservadas no parque têm idades que variam de 12 mil a 3.500 anos, revelando registros preciosos da presença humana ao longo do tempo.
Vista da Serra da Capivara - Divulgação/TV Brasil
Em sua primeira visita à Serra da Capivara, o dentista Rodrigo Camazan se encantou com os vestígios do passado. “A gente gosta de viajar e conhecer a história dos lugares, a gente já viajou para outros lugares, outros sítios arqueológicos, e a gente sempre procura entender e compreender como isso tudo pode estar interligado lá atrás”.
O dentista Rodrigo Camazan é fascinado por sítios arqueológicos - Divulgação/TV Brasil
Muito da preservação da Serra deve-se à arqueóloga Niède Guidon, que, por mais de cinco décadas, pesquisou e protegeu esse patrimônio. Ela morreu em junho de 2025, mas deixou um legado que hoje é preservado por pessoas como Gisele Felice, amiga e parceira de trabalho de Niède. “Eu aprendi muito sobre arqueologia com a Niède e aprendi muito sobre arqueologia com os técnicos, as pessoas da região que sempre escavaram com ela e com todos os outros pesquisadores que passaram por aqui. Niède sempre foi muito generosa em relação a repassar o conhecimento e dar oportunidades”.
A arqueóloga Gisele Felice se dedica à preservação do Parque - Divulgação/TV Brasil
O Parque da Serra da Capivara ocupa um território com vários municípios, entre eles, São Raimundo Nonato e Coronel José Dias. Esses locais também oferecem atrativos aos visitantes como o “Museu do Homem Americano” que preserva peças encontradas nas pesquisas arqueológicas, fósseis, esqueletos e réplicas dos povos antigos que viveram na região. Tudo isso com recursos audiovisuais e projeções que ampliam a experiência dos turistas.
Museu do Homem Americano preserva a pré-história do PI - Divulgação/TV Brasil
Já o município Coronel José Dias, abriga o Museu da Natureza que tem elementos interativos que até simulam um voo panorâmico sobre as formações rochosas do parque. A aposentada Luciana Moreira descreve a experiência vivida no museu: “Eu achei fantástico, eu realmente me senti sobrevoando de asa delta e ver todos os ambientes que a gente visitou, eu me senti muito emocionada”.
A aposentada Luciana Moreira se encantou com o Museu da Natureza - Divulgação/TV Brasil
Além da riqueza histórica, o turista que visita a região também pode desfrutar de um espetáculo cultural que une música, dança, teatro, circo e artes visuais em meio às paisagens da Caatinga. A sétima edição da Ópera da Serra da Capivara trouxe neste ano o espetáculo “Cleópatra Rainha Caatingueira” unindo referências do Egito Antigo à paisagem sertaneja. As luzes e projeções gráficas transformam a noite e criam uma atmosfera que envolve o público num grande palco a céu aberto.
Artistas de várias partes do Brasil integram a ópera - Divulgação/TV Brasil
“O corpo do Brasil está aqui na América, mas a nossa alma, nossa história, nossa cultura, ela começa pela África também”, explica a organizadora do espetáculo, Sádia Castro. Ela relembra que as pesquisas de Niède Guidon também mostram que os primeiros habitantes das Américas vieram da África e por isso a escolha do tema do espetáculo. “A gente tentou contar essa história por uma mulher, uma mulher grande, poderosa, que renasce, morre e renasce aqui no sertão”, completa.
A organizadora da ópera Sádia Castro lembra que a história do Brasil começa na África - Divulgação/TV Brasil
Durante quatro noites, cerca de 50 artistas de vários estados brasileiros entre músicos, cantores e bailarinos encantaram o público na Serra da Capivara. Entre os espectadores, a cirurgiã-dentista Rose Braga que nunca havia assistido a ópera. “Eu estou simplesmente encantada. Enquanto eu assistia, eu falava para meu esposo que não perco mais nenhum ano. Foi um espetáculo lindo”.
A dentista Rose Braga pretende voltar mais vezes para assistir a ópera - Divulgação/TV Brasil
Para o empresário Bernando Boljean a combinação de músicas compostas especialmente para a ópera, cenário natural, história e efeitos visuais tornou a experiência ainda mais especial. “Eu já fui em muitos espetáculos fora do Brasil, mas igual a esse, eu nunca fui. Isso aqui é um negócio para a gente se orgulhar, toca o coração, em todo sentido. Me emocionei várias vezes. Nunca senti tanto orgulho de ser brasileiro e de vir aqui, porque a gente tem mania de prestigiar a cultura lá de fora. Essa cultura aqui, ela tem que ser vista pelo Brasil e pelo mundo”, conclui.
Show de luzes e cores na ópera Cleópatra Rainha Caatingueira - Divulgação/TV Brasil
O Caminhos da Reportagem Serra da Capivara: A Pré-História em Cena vai ao ar na segunda-feira (19/10), às 23h30 na TV Brasil.
Ficha técnica:
Reportagem: Christian Sousa
Roteiro e produção: Dulce Luz
Reportagem cinematográfica: Antônio Carlos dos Santos
Montagem e finalização de imagem: Rafael Oliveira
Edição de texto: Christhian Sousa
Direção de jornalismo: Márcio Gleu
Direção TV Antares: Núbia Ramos
Presidente da Fundação Antares: Mussoline Guedes