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Segurança Pública: PEC da redução da maioridade penal no Senado pode ter relator do PT

Agência Pública · Por Maira Escardovelli

(há 2 horas)

Publicado originalmente em Agência Pública ↗ · Uso: CC BY-ND 4.0

Imagem: Agência Pública

Com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública aprovada por 75 votos a zero, o plenário do Senado Federal agora se prepara para apreciar nesta quarta-feira, 4 de novembro, a PEC que pode reduzir a maioridade penal no Brasil. A informação foi confirmada por um senador governista à Agência Pública assim que terminou, na noite de terça-feira, 3 de novembro, a votação, em dois turnos, da PEC que representa a resposta do governo de Lula às reivindicações da sociedade brasileira na área da segurança. 

Painel exibe resultado da votação da PEC da Segurança Pública
Painel exibe resultado da votação da PEC da Segurança Pública; O texto passou em dois turnos, com 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 votos favoráveis (e nenhum voto contrário) no segundo turno

A relatoria da nova proposta deve ficar com o senador Rogério Carvalho (PT-SE). O texto, segundo o senador, seguirá o apresentado pelo seu colega de partido e líder do PT na Casa, Camilo Santana (PT-CE), que prevê a imputabilidade penal aos 16 anos para os crimes considerados hediondos, e que mantém os 18 anos para os demais crimes. 

“Do jeito que tá sendo proposto, a gente vai abranger só quem de fato comete crimes muito graves, o resto permanece como está. […] Se a gente deixar, vão reduzir a maioridade penal para 14 anos”, declarou Carvalho.

A proposta de Santana foi elaborada como resposta a uma emenda à PEC da Segurança Pública apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) quando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tentou colocar a PEC em votação no período entre o primeiro e o segundo turnos das eleições presidenciais. 

Senadores Camilo Santana (PT-CE), Rogério Marinho (PL-RN) e Davi Alcolumbre (União-AP) conversam durante sessão que aprovou PEC da Segurança Pública
Senadores Camilo Santana (PT-CE), Rogério Marinho (PL-RN) e Davi Alcolumbre (União-AP) conversam durante sessão que aprovou PEC da Segurança Pública

Apoiado pelo então candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, o projeto apresentado por Marinho previa a redução para 16 anos da maioridade penal em todos os casos e, para 14 anos, no caso de crimes considerados hediondos e graves, como tortura e tráfico de drogas. 

Como foi a votação da PEC da Segurança

Com a tarefa de preparar o terreno para a próxima legislatura e absorver o impacto da fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, a oposição no Senado tentou desde o momento que Alcolumbre anunciou a votação da PEC, incluir a redução da maioridade penal na proposta. A medida era compreendida como uma derrota ao governo Lula e um aceno à população, que segundo pesquisas de opinião, aprova a redução. 

Em uma vitória do governo, no entanto, a requisição de Rogerio Marinho de incluir o tema na PEC foi rejeitada pelos senadores com uma diferença apertada de votos. Entre os parlamentares presentes, 38 deliberaram para que a diminuição da maioridade penal fosse votada em uma PEC própria, e 36 votaram para que o tema fosse incluído na alteração constitucional que estava em análise. 

Tanto a proposição de Santana como a de Marinho foram encaminhadas para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O líder do MDB, senador Eduardo Braga (MDB-AM), porém, solicitou ao presidente do Senado que as propostas fossem analisadas pelo plenário da Casa já nesta quarta-feira, 04 de novembro, uma vez que a CCJ não tinha reunião agendada nesta data. 

Senador Rogério Carvalho (PT-SE).
Senador Rogério Carvalho (PT-SE) pode ser relator da PEC da redução da maioridade penal

Um provável “acordo” entre os senadores Camilo Santana, Rogerio Carvalho e o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), deve garantir que seja assinado um requerimento de urgência com o objetivo de levar as duas ideias sobre a redução da maioridade, nesta quarta-feira, 4, ao plenário. Transformadas em PECs autônomas, elas devem ser apensadas e podem ser votadas em primeiro e segundo turno no Plenário do Senado.  

Agora, a base do PT tenta consenso com o PL para levar a votação a versão de Camilo Santana. Questionado pela Pública sobre as chances deste acordo ser bem-sucedido e o texto terminar o dia aprovado, o senador Rogério Carvalho foi taxativo: “nós vamos conseguir aprovar amanhã. Ponto”.

Ler no site da fonte: Agência Pública ↗

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