Quando a formação chega ao centro do debate jornalístico
Observatório da Imprensa · Por Edilamar Galvao
(há 2 horas)
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O ex-editor executivo do The New York Times, Dean Baquet, durante entrevista exclusiva ao LabJor. (Foto: Marcos Leal/LabJor FAAP)
João Moreira Salles começou reconhecendo que a pergunta não era fácil. Diante dele, um estudante de Jornalismo da FAAP queria saber: “Quais devem ser as prioridades da cobertura jornalística em ano eleitoral?”.
A questão, proposta pelos próprios alunos do curso de Jornalismo da FAAP durante a preparação para a cobertura do 10º Festival piauí de Jornalismo, realizado nos dias 5 e 6 de setembro de 2026, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, provocou uma reflexão sobre a publicação sucessiva de vazamentos: “A gente, hoje em dia, basicamente noticia vazamento. E vazamento tem lado. E se todo dia tem um vazamento espetacular, você de certa maneira é profissionalmente obrigado a cobrir esse vazamento espetacular e amanhã você cobre o segundo vazamento espetacular e no terceiro dia, o terceiro vazamento espetacular. Se todos os vazamentos estiverem sendo feitos pelo mesmo lado, você acabou de desequilibrar a tua cobertura. (…) Chega um momento em que você claramente está sendo operado pelos vazamentos”, afirmou o fundador da revista piauí.
Percebemos imediatamente a importância da resposta e tivemos a expectativa de que chegasse às redações. Isso aconteceu: a publicação alcançou quase 72 mil visualizações e dois mil compartilhamentos no Instagram, circulou entre muitos jornalistas importantes e foi citada na coluna “Ser ou não ser instrumentalizada por vazamentos”, de Alexandra Moraes, publicada em 12 de setembro. Os alunos haviam tocado em uma tensão que permanece atual: informar sobre denúncias de interesse público e investigar os interesses de quem as divulga.
Com o tema “No olho do furacão — Diretores de redação em tempos de tormenta”, o festival reuniu profissionais que comandam ou comandaram redações diante de guerras, autoritarismo e pressões políticas. Nossa equipe de oito estudantes do LabJor cobriu todas as mesas. O trabalho resultou em 11 matérias no Medium e sete vídeos no Instagram, incluindo uma entrevista com Dean Baquet, ex-editor-executivo do The New York Times.
Em 2019, quando a FAAP sediou o festival, já havíamos realizado uma ampla cobertura. A participação começa com um convite aos alunos interessados. O festival destina ingressos a estudantes, iniciativa que amplia o acesso a esse encontro; nesta edição, sete dos oito integrantes da nossa equipe eram bolsistas do ProUni.
Antes do evento, fizemos uma reunião de pauta, discutimos os temas e dividimos as tarefas. Cada aluno ficou encarregado de uma mesa e de buscar uma entrevista com seu convidado central. A pergunta sobre a cobertura eleitoral nasceu dessa discussão, e decidimos dirigi-la a Moreira Salles.
Durante os dois dias, minha função foi incentivá-los na aproximação com os convidados, discutir os conteúdos propostos, revisar os textos e acompanhar o fechamento das matérias para publicação. A formação acontecia nas decisões concretas da cobertura, da abordagem das fontes à edição. Por isso, aproximar a formação da prática profissional é uma diretriz no curso de Jornalismo da FAAP. Os estudantes têm a oportunidade de apurar, perguntar, “disputar” a notícia e publicar diante de situações reais.
A repercussão da entrevista com Salles deu alcance a essa experiência. Ao ganhar espaço no debate profissional, a pergunta dos estudantes mostrou que a formação às vezes pode ter algo a ensinar às redações.
Assista à entrevista com Moreira Salles no Instagram do LabJor.
Confira as reportagens no Medium do LabJor.
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Edilamar Galvão é jornalista formada pela UNESP, mestra e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com pós-doutorado no Diversitas — Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da USP. É coordenadora do curso de Jornalismo e do programa BCM — Business, Communication and Media, além de professora de Estética no curso de Artes Visuais da FAAP. Criou o Laboratório de Jornalismo da FAAP no final de 2017 e assumiu a coordenação do curso em agosto de 2018, função na qual também exerce a supervisão do laboratório.
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