Prova de Ciências Humanas do Enem exige mais que nomes, datas e fatos
Radioagência Nacional · Por Oussama El Ghaori* - Repórter da Rádio Nacional
(há 1 hora)
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Para se sair bem na prova de Ciências Humanas do Enem não basta decorar nomes, datas e acontecimentos. O exame cobra principalmente a capacidade de compreender conceitos, interpretar textos e relacionar diferentes áreas do conhecimento. A prova de Ciências Humanas do Enem é aplicada no primeiro dia do exame, 8 de novembro, junto com Redação e Linguagens. As questões abordam conhecimentos de filosofia, sociologia, história e geografia.

Segundo professores dessas áreas, a preparação deve priorizar a compreensão de conceitos centrais, ao invés da simples memorização biográfica ou cronológica. Em filosofia, o candidato deve estar preparado principalmente para interpretar os textos apresentados na prova, como explica a professora Agailma Silva.
“O Enem não pergunta sobre o filósofo, nascimento do filósofo, frase decorada. Ele traz o texto e pede que você reconheça a ideia central, aplique a uma situação. Então o contexto histórico ajuda a entender por que aquela ideia surgiu, mas a biografia quase nunca é cobrada”.
A prova de humanas exige do candidato a capacidade de fazer conexões entre conteúdos e acompanhar fatos do dia a dia. O estudante de 17 anos, Levi Nasser de Oliveira Mariano, já percebeu isso.
“Eu gosto de pegar para ver o noticiário sempre que eu consigo, que eu tô em casa para poder ver. Às vezes eu pego e leio umas matérias também, mas para a questão de humanas, geografia, sociologia, filosofia, eu tenho a percepção de que todos esses conteúdos se entrelaçam de múltiplas formas”.
Segundo Levi, essa visão de conjunto acaba se refletindo na forma de estudar.
“Esses conteúdos de ciências humanas estão presentes de forma praticamente igual em todas as matérias. Então, vou respondendo os itens, sempre que cai alguma coisa no item que ele tá pedindo e eu não conheço, eu acabo procurando e, enquanto eu procuro, eu já vejo coisas que têm relação em sociologia, filosofia, esse tipo de coisa”.
Na Sociologia, a prova tem priorizado questões temáticas, como detalha o professor da disciplina, Bruno Borges.
“A prova de Sociologia, ela tem sido, nessa última década, sobretudo temática. Vale aqui destacar aquilo que a gente chama de questão indígena: seus direitos enquanto povos originários, a representação dos seus direitos na Constituição. Além da questão indígena, também vale aqui destacar o debate sobre movimentos sociais e expressão dos processos democráticos. Uma ênfase e visibilidade maior para o Movimento Negro”.
Em história do Brasil, a revisão exige recortes bem estabelecidos do passado nacional, de acordo com o professor da matéria, Fábio dos Reis Santos.
“O Império, principalmente as questões sociais do Império, seja primeiro, segundo reinado ou mesmo período regencial, que é o período entre os dois impérios, questões escravagistas e a construção do movimento abolicionista. Eu acho que o Enem vem tendo uma prioridade a ver isso.”
O professor destaca ainda a República com o coronelismo, as revoltas como a da vacina e da chibata, e ainda Era Vargas, ditadura militar e redemocratização. Além do domínio dos fatos, o desempenho em história depende da capacidade de entender o texto de apoio, como explica Fábio dos Reis.
“Existem algumas questões no Enem, na parte de humanas, pelo menos, isso é um pouco mais forte, que se você domina o conteúdo, mas tem uma capacidade de interpretação ruim, às vezes você só tem uma informação memorizada que você não consegue aplicá-la ali na situação que é apresentada. E não é isso que o Enem deseja. O Enem deseja que você tenha condições de conseguir o seu processo de interpretação adequadamente das questões”.
Já em Geografia, o professor Leonardo Dreher Ramalho Glória afirma que o foco recai sobre dinâmicas territoriais e socioambientais do país.
“Espaço agrário, na parte de urbanização, a questão da economia brasileira, o funcionamento da economia, a questão das vegetações do Brasil, assim como as suas causas de desmatamento, a questão de comunidades tradicionais presentes no território brasileiro”.
Outros destaques são aquecimento global, meio ambiente e assuntos geoeconômicos, como a globalização e a política tarifária dos Estados Unidos. Resumindo: em Ciências Humanas, não basta saber o conteúdo, é preciso entender o texto e aplicar o conhecimento à situação apresentada na questão.
Na próxima reportagem, vamos falar sobre a prova de matemática. Até lá!
*Com produção de Salete Sobreira e sonoplastia de Jailton Sodré.
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