Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas destaca ações contra feminicídio
Radioagência Nacional · Por Lincoln Chaves - repórter da EBC
(há 58 min)
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Segundo o estudo "Retrato dos Feminicídios no Brasil", do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em março deste ano, 1.568 mulheres foram mortas em crimes de gênero durante 2025. Um assassinato a cada cinco horas e 36 minutos - apenas pela vítima ser mulher. O número é quase 5% superior a 2024. Ainda de acordo com a publicação, considerando os casos de feminicídio registrados entre 2021 e 2024, 66% deles ocorrem na própria casa da vítima e mais de 80% deles foram cometidos pelo parceiro atual ou pelo ex-companheiro.

Por isso, o Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas tem uma disputa que é voltada justamente ao combate ao assédio e à violência de gênero. Trata-se da categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio, que reconhece a atuação dos clubes da elite nacional neste enfrentamento. Os finalistas, revelados nesta segunda-feira (2), são Bahia, Botafogo e Internacional.
O Bahia teve, como uma das principais ações, a campanha "Terceiro Tempo", em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas e a agência Propeg. O intuito foi alertar sobre o aumento dos casos de agressão de gênero com base no estudo “Futebol e Violência contra a Mulher”, também realizado pelo FBSP. Segundo a pesquisa, registros de ameaças sobem 27% e os de lesão corporal quase 29% em dias de bola rolando.
Após a partida diante do Internacional, em 30 de agosto, na Arena Fonte Nova, pelo Brasileirão masculino, um grupo de mulheres permaneceu na arquibancada leste no estádio. Acima delas, o letreiro mostrou a frase: "Hoje, ficar no estádio é mais seguro que em casa".
O Botafogo conta, desde 2022, com o projeto "A Hora Delas", para valorização da presença feminina no futebol. O Estádio Nilton Santos se tornou o primeiro do Rio de Janeiro a ter um posto para receber, durante os jogos, denúncias de assédio e violência de gênero. A ação tem apoio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e do Juizado Especial Criminal.
Uma ação marcante envolvendo o Glorioso ocorreu no jogo diante do Corinthians, na Neo Química Arena, em 30 de novembro do ano passado, pelo Brasileirão masculino. Os times se uniram para uma campanha em que os números nas costas foram redesenhados a partir de radiografias reais de mulheres agredidas. E na barra frontal da camisa, a pergunta "quem matou?" e acompanhada pelos nomes de mais de 40 vítimas de feminicídio.
Já o Internacional aderiu ao movimento "Banco Vermelho", instalando, na área do Beira-Rio, um banco tingido como forma de protesto visual. A iniciativa teve origem na Itália em 2016 e o vermelho simboliza o sangue derramado pelas vítimas de feminicídio, como um alerta para quem o avanço dos casos seja detido.
Na final do último Campeonato Gaúcho masculino, em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Inter e Grêmio foram a campo com mensagens de combate à violência, destacando o número 181, do Disque-Denúncia. Antes de a bola rolar, o telão do Beira-Rio apresentou o simbólico placar de 20 a 0, referente aos registros de feminicídios no Rio Grande do Sul em 2026 até aquele instante. A ação integra a campanha "Não Maquie, Denuncie", do governo estadual.
Os finalistas foram selecionados por meio de votação de um júri exclusivamente feminino, que reuniu jornalistas, comunicadoras, personalidades e profissionais que acompanham a modalidade ou atuam em pautas relacionadas à igualdade de gênero. E o ganhador será reconhecido na cerimônia do Prêmio TV Brasil Petrobras para elas, no próximo dia 15 de novembro, em São Paulo, no Museu do Futebol.
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