Pesquisa associa seca a maior chance de prematuridade no Brasil
Radioagência Nacional · Por Carolina Pessôa - repórter da Rádio Nacional
(há 1 hora)
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A exposição à seca durante a gestação eleva a chance de prematuridade e a prejuízos no crescimento fetal. É o que aponta um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) feito a partir da análise de quase 30 milhões de nascimentos no Brasil, durante 20 anos.

De acordo com a pesquisa, cerca de 8% dos nascimentos no período, associados à seca, foram prematuros, e quase 10% resultaram em bebês pequenos para a idade gestacional.
A equipe responsável pela pesquisa identificou que a escassez de água, intensificada pelas mudanças climáticas, aumenta as chances de desfechos adversos no nascimento. A análise levou em conta dados socioeconômicos, características maternas e informações sobre o parto e o recém-nascido.
A pesquisadora da Fiocruz Bahia, Aline Rocha, líder da análise, dá mais detalhes.
“O nosso estudo considerou três diferentes exposições à seca. A seca de três meses, a seca de seis meses e a seca de nove meses, que é uma seca mais prolongada. Além disso, nas nossas análises nós levamos em consideração outras características maternas que poderiam influenciar essas associações, como a região em que a mulher reside, a área da residência, se urbana ou rural, e também condições de abastecimento de água, escolaridade, a idade da mãe no momento do parto, e o mês e o ano do nascimento do bebê”.
A especialista destaca ainda a contribuição dos dados da pesquisa e as desigualdades encontradas.
“Esses resultados eles são particularmente importantes em um país como o Brasil, marcado por profundas desigualdades sociais e diferenças regionais, na vulnerabilidade dos eventos climáticos. No nosso estudo, observamos que as associações entre a seca e os desfechos adversos ao nascimento não foram homogêneas em todo o território nacional. Observamos maiores chances de nascimentos prematuros nos biomas da Amazônia, no Cerrado e no Pampa, assim como municípios com IDH muito baixo”.
Os resultados serviram de base para o documento "Seca e saúde materno-infantil no Brasil: caderno de recomendações para a gestão pública", produzido em conjunto com representantes da gestão governamental, profissionais e representantes de organizações da sociedade civil.
Diante das informações da pesquisa, o material reúne recomendações para a tomada de decisão na gestão pública, entre elas incorporar indicadores de seca no sistema de monitoramento e vigilância em saúde e reforçar o acesso a água.
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