“Para vencer, a mensagem de Lula precisa ser de futuro”, defende Jones Manoel
Marco Zero Conteúdo · Por Inácio França
(há 1 hora)
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O maior fenômeno eleitoral de Pernambuco em 2026 acredita que, para virar o jogo e vencer o bolsonarismo, a campanha do presidente Lula precisa oferecer uma perspectiva de futuro e não apenas insistir naquilo que já foi realizado. “A mensagem tem que ser de futuro. Nesses 20 dias, o presidente Lula precisa apresentar um projeto político que convença as pessoas de que vale a pena sair de casa pra votar, de que vale a pena fazer campanha, de que se for reeleito vai ter um impacto concreto e positivo na vida das pessoas”, defende o historiador Jones Manoel (PSOL).
Eleito como segundo deputado federal mais votado do estado, com 249 mil votos, na primeira vez em que disputou o cargo, Jones não acredita que o problema da campanha de Lula está na forma como se comunica, mas sim no conteúdo daquilo que é comunicado: “ele precisa apontar para o futuro colocando em debate a tarifa zero, o enfrentamento do caos urbano com a expansão do sistema metroferroviário, reindustrializar o Brasil, para gerar emprego em massa, enfrentar de maneira concreta a crise climática para superar a sensação objetiva de mal-estar nas grandes cidades, que são quentes, engarrafadas, violentas, sujas e tumultuadas”.
Famoso por sua postura combativa nas redes sociais, ele entende que a solução para Lula não é usar mais ou menos as redes sociais, como apontou em vídeo que viralizou outra campeã de votos, a mineira Ana Elisa (PT). “O meio da mensagem não é neutro, o meio da mensagem é importante, mas é preciso considerar a importância da mensagem”, explica.
Os gastos de campanha de Jones Manoel registrados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que não há incoerência entre aquilo que fala e sua estratégia nas redes. Mesmo contando com 2,1 milhões de seguidores no Instagram, por exemplo, ele gastou R$ 140 mil com impulsionamento.
Para efeitos de comparação, Pedro Campos (PSB), o deputado federal mais votado, investiu R$ 232 mil em anúncios nas redes sociais da Meta (Instagram, Facebook e Threads), Anderson Ferreira (PL), a terceira maior votação, gastou E$ 227 mil. Já Rosa Amorim (PT), que teve 144 mil votos, gastou R$ 600 mil, quatro vezes mais do que o comunista do PSOL.
“É uma bobagem investir fortunas em impulsionamento. Vou explicar: é mais interessante postar carrosséis de fotos com as pessoas que participam de nossas atividades. Quem estava lá vai se ver nas fotos e compartilhá-las em seus perfis, quem não pôde ir, mas é da cidade ou do bairro, vai identificar os amigos nas fotos e também compartilham”, revela, dando o caminho das pedras. Ou, ao menos, uma parte dele.
Deve funcionar, afinal ele foi o deputado federal mais votado em Recife, Olinda e Paulista; segundo mais votado em Jaboatão dos Guararapes e terceiro mais votado em Abreu e Lima e Cabo de Santo Agostinho.
Mandato para mobilizar e politizar
Jones garante que, no Congresso Nacional, irá “recuperar uma tradição da esquerda, que é cumprir o mandato com um pé na política institucional e outro pé para usar a institucionalidade como um mecanismo para alavancar as lutas, para a mobilização popular e organização da classe trabalhadora”.
Segundo ele, sua atuação como deputado só terá sentido se não se pautar apenas na costura de acordos de bastidores, mas também “fazer com que pessoas se sintam parte do processo, que seja pautado na mobilização popular, na politização e a articulação política”.
As perspectivas sobre os rumos do mandato, no entanto, estão condicionadas ao resultado do segundo turno da eleição presidencial. “Uma coisa é ser deputado com Lula presidente, outra coisa bem diferente será exercer o mandato com Flávio Bolsonaro na presidência”, garante. Questionado sobre qual seria a maior diferença, Jones Manoel responde com ironia: “se o for para a oposição a bancada do PT vira o exército bolchevique, o PT na oposição volta a falar de socialismo, de revolução, de imperialismo, de Marx, de Che Guevara, Fidel Castro e tudo que você imaginar. O PT na situação é outro contexto”.
Sem fórmula para derrotar a direita
Jones Manoel não foi surpreendido com as inúmeras vitórias eleitorais do PL e do bolsonarismo no dia 4 de outubro. “Eles estão crescendo desde 2018, só foi pego de surpresa quem olha só pra eleição presidencial, mas não olha pro quadro geral como um todo”, argumenta. Em sua análise, três fatores que estão conectados contribuem decisivamente para esses resultados.
Sincero, ele admite que o primeiro motivo seria o fato de as esquerdas ainda não terem encontrado a fórmula para derrotar o extremismo de direita: “a gente ainda não conseguiu encontrar uma fórmula para enfraquecer o campo deles, eles tiveram derrotas táticas, é bem verdade, mas não sofreram nenhuma derrota estratégica. A a gente não tem fórmula política pra isso”.
O segundo motivo seriam as emendas pix e as demais emendas parlamentares impositivas, chamadas anteriormente de orçamento secreto. Ele acredita que boa parte dessas vitórias podem ser explicadas pelo derramamento de dinheiro nos municípios gerados por essas emendas. Ele cita como exemplo, a eleição de Alvinho Lira, o filho de Arthur Lira de 20 anos de idade que foi o deputado federal mais votado em Alagoas.
Por fim, mas não menos importante, estaria o enraizamento e a capilaridade da extrema direita na sociedade. “A extrema-direita está mais organizada socialmente em igrejas evangélicas, em grupos de corrida, em espaços de fortalecimento de empreendedorismo, em espaços de palestras, em grupos de coach, de negócio motivacional, de associações empresariais e comerciais. O tecido organizativo deles está se expandindo, enquanto o nosso tecido organizativo está se retraindo”.
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