Páginas de fofoca no Instagram enaltecem Derrite e Tebet às vésperas da votação
Núcleo Jornalismo · Por Jeniffer Mendonça
(há 2 horas)
Publicado originalmente em Núcleo Jornalismo ↗ · Uso: CC BY-ND 4.0 (programa de republicação para veículos de jornalismo)


O Núcleo identificou páginas de fofoca de grande alcance no Instagram que fizeram publicações com texto semelhante e quase simultaneamente que enaltecem dois candidatos ao Senado por São Paulo, na noite deste sábado (3.out.2026), às vésperas da votação do primeiro turno. Nenhuma delas sinaliza se o conteúdo se deu mediante pagamento.
É ✷ importante ✷ porque...-
O Tribunal Superior Eleitoral proíbe, desde 48h antes até 24h depois da eleição, a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet, mesmo se a contratação tiver sido realizada antes desse prazo;
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A legislação permite, durante a campanha e com exceção do prazo citado acima, que apenas partidos e candidatos façam parcerias pagas, sendo proibido o impulsionamento de conteúdo político partidário por pessoas físicas e jurídicas;
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Campanha velada, sem sinalização, pode configurar crime eleitoral.
No caso do deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP), foram 18 perfis que postaram que o candidato defende que facções criminosas sejam enquadradas como organizações terroristas. Em quatro páginas (@alfinetei, @acerteinoticias, @portalfoquei e @kimfofoca), tanto a legenda quanto a imagem eram as mesmas: "LINHA DURA CONTRA O CRIME! Derrite defende classificar facções criminosas como organizações terroristas".

A página com maior número de seguidores que veiculou o post foi a @alfinetei. A publicação teve, inclusive, curtida do perfil oficial de Derrite.
- @alfinetei (+25,4 milhões de seguidores)
- @sobremundo (+10 milhões)
- @tuitteiros (+3,5 milhões)
- @diferentona (+3,4 milhões)
- @sobrefavela (+1,7 milhão)
- @garotonews (+1,2 milhão)
- @asatualidades (+1 milhão)
- @futricasefofocas (+1 milhão)
- @vemebuscarhebe (+1 milhão)
- @recantodosbabados (+909 mil)
- @odiariobrasileiro (+906 mil)
- @kimfofoca (750 mil)
- @noticiaexplicada (+488 mil)
- @ohnoticias (+456 mil)
- @bllogdosfamosos (+296 mil)
- @portalfoquei (+252 mil)
- @acerteinoticias (+241 mil)
- @foiassunto (+120 mil)
À reportagem, a assessoria de Derrite disse que "a campanha não tem nenhum envolvimento ou investimento nesses canais de comunicação". Coincidentemente, após contatarmos a campanha, a publicação na página @alfinetei foi excluída. Os posts feitos por @diferentona, @asatualidades e @odiariobrasileiro também foram apagados depois que a reportagem procurou as páginas.
No caso da ex-ministra Simone Tebet (PSB), 11 páginas repercutiram ontem, também quase simultaneamente, um corte de uma declaração dela sobre redução da maioridade penal que foi dada durante debate de candidatos ao Senado na Band, em 9.set.2026.

Ela afirmou ser favorável à medida a pessoas a partir de 16 anos que tenham cometido crimes graves. Duas das páginas também haviam feito publicações sobre Derrite (@sobrefavela e @noticiaexplicada).
- @fofocas (+7,8 milhões de seguidores)
- @rainhamatos (+2,4 milhões)
- @sobrefavela (+1,7 milhão)
- @fofoqueirasonline (+1,2 milhão)
- @foxicava (+1 milhão)
- @eutochocado (+944 mil)
- @eutopasada (+652 mil)
- @efofocaofc (+620 mil)
- @noticiaexplicada (+488 mil)
- @atualizava (457 mil)
- @fofocanoblog (+229 mil)
A assessoria de Tebet não respondeu ao contato da reportagem até a publicação.
Em dez.2025, parte dessas páginas também promoveu feitos da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição, conforme reportagem da revista piauí, de 12.jan.2026. São elas: @fofocas, @rainhamatos e @vemebuscarhebe, da Agência Buzz, que pertence à Mynd; e @alfinetei.
Tanto a Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo quanto a agência que representa as páginas negaram à revista o pagamento para repercutir as ações do governo.
O Núcleo buscou as páginas mencionadas pelos canais de comunicação disponíveis, como e-mail e mensagem direta pelo Instagram, mas não houve retorno até a publicação.
Reportagem Jeniffer MendonçaArte Rodolfo Almeida
Edição Alexandre Orrico
Ler no site da fonte: Núcleo Jornalismo ↗