Mudanças climáticas e saúde: SUS se prepara para crises extremas
TV Brasil · Por pollyane.marques
(há 2 horas)
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Repórter Brasil 08/10/2026 - 19:00
O El Niño continua a se intensificar. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos publicou hoje que a probabilidade de um evento forte a muito forte em 2027 ultrapassa 83%. Aqui no Brasil, o Conselho Nacional da Saúde, órgão responsável por deliberar e fiscalizar o Ministério da Saúde, se reuniu esta semana para debater os possíveis impactos e preparar o SUS para as emergências climáticas.
O ano era 2024. No Rio Grande do Sul, 96% dos municípios foram atingidos pelas enchentes. Mais de 180 pessoas morreram e quase 2,5 milhões foram afetadas. Além dos prejuízos materiais, Letícia Fagundes também sofreu problemas de saúde em função da tragédia.
“Nas enchentes, eu peguei todas as doenças da água. Eu peguei dengue, porque antes das enchentes, em abril, houve uma pandemia de dengue no Rio Grande do Sul. Essas doenças vão gerando uma série de consequências a médio e longo prazo, porque não dá tempo do clima ficar estável, já vem um outro ciclone, uma outra tempestade, as águas ficam encharcando, ficam úmidos os ambientes, as residências”, relata a jornalista.
Hoje, dois anos depois, o Brasil se prepara para um El Niño que deve ser especialmente intenso. E é tudo no extremo: ou calor demais, ou chuva pesada de uma vez. A consequência disso vem na economia, a comida e energia podem ficar mais caras, além dos prejuízos materiais e impactos na saúde.E o SUS já começou a ser preparado para responder a essa emergência climática. O tema foi discutido na reunião do Conselho Nacional de Saúde, que terminou hoje, em Brasília. O desafio é organizar tudo antes que os eventos extremos aconteçam.
"É uma construção onde a gente tem apontado a responder às emergências, mas que precisamos fazer todo um espaço preventivo e por isso a perspectiva aí do Adapta SUS e tratar isso nas regiões onde é mais candente a necessidade de cuidado é fundamental e por isso implicar gestores das outras esferas no cumprimento dessas premissas que o SUS, que o Sistema Único de Saúde através do Ministério da Saúde tem apresentado”, explica Fernanda Magano, presidenta do Conselho Nacional de Saúde.
Dados do Ministério da Saúde mostram que enchentes e chuvas intensas aumentam o risco de doenças como dengue e leptospirose. Entre 2016 e 2025, 11.066 pessoas foram hospitalizadas por enfermidades de transmissão por água e alimentos. Nesse período, foram registradas 141 mortes. Já o calor extremo, a seca e a fumaça das queimadas também podem agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, como asma e bronquite, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
“Os eventos estão mais fortes, mais frequentes, então o desafio agora é sair do modo de reação e ir para o modo de antecipação. E isso ainda é um desafio, porque os municípios e os estados têm capacidade diferente. Não é só a União, não é só o governo federal. Tem que avaliar as tomadas de decisões dos municípios também. E hoje a gente está bem preparado para reagir a esses efeitos, mas não está preparado com antecedência”, afirma Cristian Ribeiro, sanitarista e pesquisador da UnB.
08/10/2026 - 20:05 Tags: mudanças climáticas clima extremo SUS