Mais descanso, melhor desempenho: empresas testam novas jornadas
TV Brasil · Por pollyane.marques
(há 1 hora)
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Repórter Brasil 16/10/2026 - 19:00
A implementação da nova escala de trabalho, com dois dias de folga na semana, trouxe de volta a discussão sobre a produtividade do trabalhador brasileiro, considerada baixa em relação aos países onde a jornada de trabalho é mais curta. Em São Paulo, algumas empresas adotaram semanas ainda mais curtas de trabalho, com três dias de folga. A estratégia não tem a ver apenas com um benefício a mais para o empregado, mas também tem vantagens competitivas para o empresário.
Essa empresa já foi um braço de uma multinacional. Quando a matriz decidiu encerrar as operações no Brasil, o Fabrício Oliveira, que era vice-presidente, preservou o quadro de empregados e abriu uma outra companhia. Começou com 60 funcionários, hoje já são 130, e um escritório nos Estados Unidos. Um dos principais diferenciais para aumentar a produtividade e atrair talentos foi adotar uma escala com três folgas por semana com apenas um dia de trabalho presencial.
“O grande segredo é você ter os indicadores corretos, a metodologia correta para que esse colaborador seja produtivo dentro desse novo regime. E foi isso que a gente fez”, pontua Fabrício, diretor-geral da Vokcan.
A empresa que faz softwares industriais se beneficiou com uma redução das faltas e afastamentos. O Bruno della Montagna, que trabalha no atendimento aos clientes, se emociona ao contar como esse sistema ajudou a enfrentar um momento delicado da vida.
“Tive uma fatalidade recente, minha mãe faleceu, e nesse período inteiro que ela ficou debilitada ela acabou ficando um pouco dependente de mim. Então acho que nesse quesito principalmente foi muito bom porque me permitiu viver mais esse tempinho do lado dela, viver mais com ela”, conta o colaborador.
Ainda não se sabe ao certo quais serão os impactos da mudança na constituição que garante ao menos duas folgas por semana para os trabalhadores. Mas as experiências de empresas pioneiras, que inovaram ao adotar escalas mais flexíveis para os funcionários ajudam a entender o futuro do mercado de trabalho do Brasil.
“A gente poderia ver uma queda na verdade nos custos de contratação e treinamento. A gente imagina que a taxa de rotatividade no Brasil tende a cair, justamente porque pessoas mais satisfeitas, com mais qualidade de vida, tendem a ficar mais tempo nos seus empregos do que acontece hoje no Brasil. Então, esses efeitos de segunda ordem podem ajudar a mitigar impactos maiores”, explica Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence.
Isabela Raposeiras diz que, com uma boa gestão, a mudança do regime de trabalho não traz aumento de custos e pode ser uma oportunidade de aumentar os ganhos. Foi isso que ela viveu na sua cafeteria em São Paulo.
“Eu me arrependo de não ter feito antes, porque melhorou absolutamente tudo. A gente já ia bem com a 5x2, a nossa rotatividade já era bem mais baixa que o mercado. A Abrasel estima 70% de rotatividade, em média, a nossa está em 8%. A gente não teve que contratar ninguém para mudar de escala”, destaca a empresária.
A Rafaela Santana Argentino, que é barista, diz que o descanso extra se reflete em melhora da qualidade do atendimento. “A gente transparece, a gente passa isso pro cliente, como a gente tá bem. A gente chega bem e relaxado. E os clientes percebem”, afirma ela.