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Cultura

Luz para os povos da floresta

TV Brasil · Por suzana.alves

(ontem)

Publicado originalmente em TV Brasil ↗ · Uso: Reprodução autorizada mediante indicação da fonte (Termos de Uso da EBC, item 1.e)

Imagem: TV Brasil
Notícias Caminhos da Reportagem 26/10/2026 - 23:00

O acesso à energia elétrica vai muito além de acender uma lâmpada. Na Amazônia, onde a distância e as condições geográficas dificultam a chegada da rede convencional, a eletricidade é fundamental para ampliar o acesso à saúde, à educação, à comunicação e às oportunidades de geração de renda.

O Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, percorreu comunidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no Pará, para mostrar como a energia impacta o cotidiano de quem vive em áreas remotas da floresta. Nossa equipe acompanhou a iniciativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de reunir pesquisadores, representantes de organizações da sociedade civil e instituições parceiras para discutir e encontrar soluções viáveis aos desafios técnicos, econômicos e regulatórios encontrados ali.

Placas solares em comunidade da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns


Placas solares em comunidade da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns - Divulgação/TV Brasil

Amazônia, a última fronteira


Segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 99,8% dos domicílios brasileiros têm acesso à rede elétrica. Os 0,2% restantes estão concentrados, em sua maioria, em regiões isoladas, especialmente na Amazônia Legal. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, cerca de 1,5 milhão de brasileiros na região amazônica ainda não têm acesso ao serviço público de energia elétrica.

Por do sol no Rio Arapiuns


Pôr do sol no Rio Arapiuns - Divulgação/TV Brasil

Na comunidade de Anã, a 4 horas de barco de Santarém, pelo rio Arapiuns, moradores dependem de geradores a diesel, que fornecem eletricidade por apenas três a quatro horas por noite, além de alguns sistemas de energia solar. A limitação afeta desde a conservação dos alimentos até o funcionamento dos serviços de saúde e da escola local.
 

Vista aérea da comunidade de Anã, no Pará


Vista aérea da comunidade de Anã, no Pará - Divulgação/TV Brasil


A falta de refrigeração adequada, por exemplo, interfere nos hábitos alimentares e na saúde da população. Sem condições de armazenar carnes e peixes, muitas famílias recorrem à salga e a alimentos industrializados. Por outro lado, na unidade básica de saúde, a disponibilidade de energia por sistema solar tem favorecido a conservação de vacinas, o acesso à internet e a realização de atendimentos por telemedicina.
 

MARIA JOSÉ CAETANO É PRESIDENTE DA RESERVA EXTRATIVISTA TAPAJÓS ARAPIUNS


Maria José Caetano é presidente da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns - Divulgação/TV Brasil


Potencial de desenvolvimento 

A eletricidade pode ainda impulsionar a economia local. Em Anã, famílias vivem da agricultura familiar, da pesca, da produção de mel de abelhas nativas e do turismo de base comunitária. O fornecimento regular de energia permitiria ampliar a capacidade de armazenamento e processamento dos produtos, além de criar novas possibilidades de comercialização.

Antônio e Reginalva Godinho são piscicultores na comunidade de Anã, no Pará


Antônio e Reginalva Godinho são piscicultores na comunidade de Anã, no Pará - Divulgação/TV Brasil


Na comunidade de São Miguel, a 5 horas de Santarém, também pelo rio Arapiuns, a reportagem mostra os efeitos da instalação de sistemas de energia solar. Os equipamentos permitem que moradores utilizem geladeiras, freezers, televisores e ventiladores, melhorando as condições de vida. No entanto, a iniciativa evidencia os limites do fornecimento: a quantidade de energia disponível exige planejamento do consumo e restringe o uso de aparelhos de maior potência.

Regênia Cardoso mostra uso doméstico de energia elétrica de placas solares


Regênia Cardoso mostra uso doméstico de energia elétrica de placas solares, por Divulgação/TV Brasil


O programa explica como funcionam os Sistemas Individuais de Geração de Energia Elétrica com Fonte Intermitente (SIGFI) e os Microssistemas Isolados de Geração e Distribuição de Energia Elétrica (MIGDI) como alternativas utilizadas em localidades onde a extensão da rede convencional não é viável. 

A reportagem também acompanha iniciativas de turismo de base comunitária, artesanato e produção de biojoias, atividades que ajudam a gerar renda e valorizar os conhecimentos e as tradições locais. Para os moradores, o desafio é conciliar o acesso a serviços essenciais e novas oportunidades econômicas com a preservação ambiental e o respeito aos povos e às culturas da floresta.

As artesãs Gilcenira e Gilciele fazem biojoias na cominidade de São Miguel


As artesãs Gilcenira e Gilciele fazem biojoias na cominidade de São Miguel - Divulgação/TV Brasil


Ficha técnica:

Reportagem: Pat Araújo 
Produção: Cleiton de Freitas 
Reportagem cinematográfica: Gilvan Alves 
Auxiliar técnico: Marcelo Vasconcelos 
Produção de imagens: Cleiton de Freitas 
Edição de texto: Marieta Cazarré 
Edição e finalização: André Eustáquio 

22/10/2026 - 12:50

   

Tags:  luz energia elétrica povos da floresta Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns

Ler no site da fonte: TV Brasil ↗