InternetLab rejeita "uso seletivo" de pesquisa pela Meta
Núcleo Jornalismo · Por Sérgio Spagnuolo
(há 1 hora)
Publicado originalmente em Núcleo Jornalismo ↗ · Uso: CC BY-ND 4.0 (programa de republicação para veículos de jornalismo)


O InternetLab, uma das principais organizações de pesquisa sobre direitos digitais do Brasil, não apreciou que a Meta tenha feito um "uso seletivo" de informações de um relatório para dizer que seu chatbot de inteligência artificial é bom em cumprir regras eleitorais, após diversas denúncias de problemas em suas plataformas durante as Eleições de 2026.
A empresa é acusada, entre outras coisas, de interferência nas eleições, seja com um bug que prejudicou a conta de Lula no Instagram ou pelo comportamento bizarro de seu chatbot de IA que bloqueava pedidos relacionados a Lula e o PT, mas indicava favorecimento quando o assunto era Flavio Bolsonaro e seu partido, o PL.
O negócio ficou tão feio pra Meta que a organização CTRL+Z organizou um protesto nesta segunda-feira (19.out.2026) na frente do escritório da empresa, em São Paulo. A ONG tem uma petição online ao TSE, com mais de 80 mil assinaturas, detalhando relatos de remoções, banimentos e restrições de conteúdos eleitorais nas redes da Meta.
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Em um post em seu blog institucional, na sexta-feira (16.out.2026), a Meta mencionou o relatório "Papo de IA", conduzido pelo InternetLab e parceiros:
A Meta AI está entre os assistentes de IA que mais cumprem as regras eleitorais quando solicitados a recomendar candidatos.
Para cumprir as regras eleitorais, a Meta proibiu temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil. Uma pesquisa independente publicada pelo InternetLab em 1 de outubro concluiu que a Meta AI quase não ranqueou nem indicou candidaturas.
Essa menção não foi apreciada pela ONG brasileira, que disse em nota que "não corrobora o uso seletivo dos resultados da pesquisa feito pela empresa" e que as informações do estudo mais recente "não sustentam afirmações sobre quais assistentes 'mais cumprem' as regras eleitorais ou se houve interferência nas eleições."
Os dados do último boletim, de fato, apontam que a Meta AI praticamente nunca ranqueou ou recomendou candidaturas, assim como o ChatGPT. Isso ocorreu, principalmente, porque a ferramenta da empresa respondia a grande parte das perguntas com uma frase padrão remetendo ao site do TSE – mas fazia isso de forma irregular, sem nenhum padrão identificável.
Em outros pontos analisados, no entanto, a Meta AI apresentou desvantagem em relação às demais. Por exemplo, foi a segunda com mais registros de deslegitimação do resultado eleitoral e, em mais de uma conversa, entregou textos prontos com argumentos contra a confiabilidade da urna eletrônica.
Leia a nota completa no site do InternetLab. Acesse o projeto Papo de IA.