Influente site de tecnologia está perto de fechar
Núcleo Jornalismo · Por Sérgio Spagnuolo
(há 1 hora)
Publicado originalmente em Núcleo Jornalismo ↗ · Uso: CC BY-ND 4.0 (programa de republicação para veículos de jornalismo)


O Rest of World, um influente site cuja cobertura jornalística abrange o impacto da tecnologia fora dos Estados Unidos, deve encerrar suas atividades no começo de 2027 após meses de quedas constantes de audiência e mudanças culturais no consumo de notícias.
A informação foi publicada primeiro no site Semafor, citando fontes, e depois confirmada via LinkedIn por uma editora do Rest of World.
Sim, é verdade: Rest of World está fechando. Após seis anos de reportagens premiadas, nossa liderança está em busca de um novo lar para a publicação que foi lançada para cobrir inovação fora do Ocidente.
[...]
Continuaremos publicando até o final de janeiro. Se você é um freelancer ou colunista que já foi comissionado, está tudo bem! Seu trabalho será preservado e continuará acessível. A todos vocês, e aos nossos muitos doadores e apoiadores, obrigado por fazerem parte de Rest of World. E por favor, apoiem o jornalismo independente!
A notícia é um baque grande para o jornalismo independente em qualquer lugar, por vários motivos.
Primeiro, porque o RoW foi fundado por Sophie Schmidt, filha do bilionário Eric Schmidt, ex-CEO do Google e agora investidor de empresas de defesa. Ela comprometeu pelo menos US$60 milhões ao projeto desde 2018. Dinheiro ali não faltava, mas não foi suficiente.
Segundo, porque mostra uma mudança no paradigma de consumo de notícias online e na distribuição de conteúdo via algoritmos e IA.
Terceiro, se uma organização que começou com esse volume de grana não consegue achar formas de se sustentar sem anúncios, o que sobra pro resto dos independentes?
Segundo o Semafor:
Fontes internas citaram amplos problemas generalizados de tráfego online que afetam várias publicações online, incluindo a decisão do Meta de desrankear links para artigos de notícias e o surgimento de chatbots e resumos de IA, que dizimaram o tráfego de busca. A organização também não estava posicionada para aproveitar aumentos na atenção da mídia vinculados a Trump e à política dos EUA.
Mas os líderes da organização também atribuíram o declínio a uma mudança cultural mais profunda para a direita dentro da comunidade de tecnologia. Um líder sênior da organização afirmou acreditar que leitores de notícias sobre tecnologia, que anteriormente expressavam valores liberais e apetite por consumir jornalismo global, ficaram desiludidos com a imprensa e agora preferem uma dieta informacional de podcasts voltados para dentro, programas do YouTube e saídas de chatbots.
