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Tecnologia

Fora do feed, protesto de rua bate à porta da Meta

Núcleo Jornalismo · Por Sérgio Spagnuolo

(há 3 horas)

Publicado originalmente em Núcleo Jornalismo ↗ · Uso: CC BY-ND 4.0 (programa de republicação para veículos de jornalismo)

Imagem: Núcleo Jornalismo
Fora do feed, protesto de rua bate à porta da Meta

Um a um, entre bandeiras de partidos políticos e cartazes mostrando Mark Zuckerberg como o capiroto, manifestantes se revezavam no microfone.

Falaram influencers, ativistas, organizadores sociais, uma deputada estadual, um sindicalista de trabalhadores da indústria petrolífera do Norte Fluminense e até o dono de um perfil de tributo a Michael Jackson no Instagram, entre outros.

Com 18º Celsius às 17h desta segunda-feira, 19.out.2026, o ventinho frio pegava desprevenidos aqueles que não levaram um agasalho (como este repórter) na altura 3.732 da Av. Brig. Faria Lima, sede da Meta no Brasil, onde jaz uma gigantesca baleia metálica inaugurada em 2021 ao custo de R$ 2 milhões – cercada e protegida por seguranças.

O ato contra a Big Tech foi articulado pela CTRL+Z, organização co-fundada por uma ex-funcionária e cujos projetos e campanhas têm sido um espinho no sapato da empresa durante essas eleições. A estimativa dos organizadores é de que mais de 1.000 pessoas compareceram.

Fora do feed, protesto de rua bate à porta da Meta
Manifestantes se reúnem em frente à sede da Meta, em São Paulo. Foto de Sérgio Spagnuolo/Núcleo Jornalismo

Os assuntos verbalizados na manifestação foram muitos, indo da Palestina até os Estados Unidos de Donald Trump. Uma das principais reclamações pertinentes à empresa girou em torno da "supressão algorítmica" contra esquerda – com queda de alcance e engajamento em perfis –, além de uma alegada interferência eleitoral a favor do candidato de extrema-direita Flavio Bolsonaro.

Nas últimas semanas, a Big Tech foi acusada de favorecer Bolsonaro e prejudicar Lula na produção de imagens por seu chatbot de inteligência artificial, e também de suprimir algumas capacidades de impulsionamento do perfil de Lula no Instagram por 24 horas. Também foi cobrada a esclarecer a derrubada do perfil do humorista Fábio Porchat, após vídeo de grande repercussão.

A Meta nega veementemente qualquer interferência nas eleições brasileiras de 2026, mas os participantes dessa manifestação não são o público que acredita na versão da empresa.

Nas últimas semanas, a dona de Instagram e Facebook tem passado por uma crise de relações públicas tão severa que a empresa se dispôs a escrever um post de mais de 1.000 palavras em seu blog para se defender – em geral, os comunicados oficiais da Meta à imprensa são algumas poucas linhas genéricas, mesmo em resposta a longos e detalhados pedidos de esclarecimentos.

Uma das maiores empresas do mundo, com alguns dos melhores engenheiros que o dinheiro pode contratar, colocou a culpa em "incidentes técnicos", reiterando que "não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição". A empresa detalha bem quais foram esses incidentes: semântica de nomes de candidatos à presidência, problema global na contagem de visualizações, análise antrifraude incorreta.

Mas a manifestação desta segunda não é sobre argumentos técnicos, e sim sobre convergências de diversos contextos. Acredite-se ou não nas justificativas pontuais, são muitos os fatores da ira de parte da população:

  1. a sequência de erros em curto espaço de tempo durante as eleições;
  2. a proximidade de bilionários das Bigs Techs com a extrema direita, tanto no Brasil quanto em outros países, especialmente nos EUA;
  3. a falta de transparência de algoritmos de recomendação;
  4. demissões em massa de funcionários, inclusive de moderação;
  5. uma imensa campanha de lobby para evitar que sejam criadas novas regulações sobre plataformas digitais.

Esses fatores foram borbulhando no caldo de insatisfações da esquerda política que culminou nessa manifestação na frente da baleia da Meta. Mas também escancaram o quanto a política depende dessas ferramentas das Big Techs, e da falta de recursos que temos frente a esse poder.

Desde a campanha no Instagram e no Facebook no fim de semana para fazer o L com a camiseta da seleção, até o grupo no WhatsApp de André Janones com mais de 5,5 milhões de pessoas e os vídeos do Revelando no YouTube, o engajamento eleitoral é montado em cima das mesmas plataformas que são vilanizadas abertamente.

Talvez seja por isso que uma manifestação de rua na frente de uma Big Tech seja um fenômeno político tão interessante: tirar as reclamações dos feeds e colocá-las no megafone é um meio ainda pouco explorado de compartilhar as frustrações sobre as mesmas empresas que controlam tanto nossos meios de comunicação.

Se os manifestantes contra a Meta tiverem mais ideias para o futuro, há outros escritórios de Big Techs a poucos metros dali.

Fora do feed, protesto de rua bate à porta da Meta
Manifestantes se aglomeram com cartazes para protestar contra Meta em São Paulo. Foto de Sérgio Spagnuolo/Núcleo Jornalismo
Reportagem Sérgio Spagnuolo
Edição Alexandre Orrico

Ler no site da fonte: Núcleo Jornalismo ↗