Fiscalização reduz novos casos, mas trabalho escravo persiste
TV Brasil · Por pollyane.marques
(há 3 horas)
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Repórter Brasil 07/10/2026 - 19:00
A "Lista Suja" do trabalho análogo à escravidão foi atualizada. Apesar de incluir 82 novos empregadores, houve uma redução de cerca de 50% em relação à atualização anterior. Os novos casos envolvem mais de 500 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão entre 2024 e 2026.
A "Lista Suja" mostra onde as fiscalizações encontraram trabalho análogo à escravidão e quais empregadores foram responsabilizados. Mas também deixa claro que esse tipo de exploração ainda persiste, mesmo com o trabalho de combate e fiscalização.
“Essa fiscalização demonstra a efetividade e o compromisso do país em eliminar, em resolver esse problema, essa violação dos direitos humanos. Por outro lado, e aqui eu trago uma reflexão, desde 95 nós temos fiscalizado, temos resgatado, alcançado alguns números históricos de trabalhadores resgatados, mas o problema persiste”, afirma Luciano Aragão, coordenador Nacional Conaete/MPT.
“O trabalho escravo tem a sua raiz como fenômeno muito relacionado às vulnerabilidades sociais. A gente precisa necessariamente falar sobre como garantir oportunidades de trabalho digno, como garantir que os direitos das pessoas sejam, de fato, ali efetivados em termos de educação, de saúde, de ter uma oportunidade de trabalho, de estar dentro de atividades econômicas que vão proporcionar para elas uma renda digna, uma situação de liberdade, de igualdade, de direitos”, explica Marina Ferro, diretora da ONG InPACTO
Nesta atualização, 82 novos empregadores entraram no cadastro: 54 pessoas físicas e 28 empresas. O número é 51% menor que o da atualização anterior, feita em abril. Os novos casos, identificados entre 2024 e 2026, estão distribuídos por 21 estados. Minas Gerais concentra o maior número, com 19 ocorrências, seguido pela Bahia, Amazonas e Maranhão.
Entre as atividades com mais flagrantes estão criação de gado para corte, trabalho doméstico, produções de carvão vegetal e de café e a construção civil.
Ao todo, 553 trabalhadores foram libertados nos últimos dois anos. Desde 1995, foram mais de 70 mil resgates de condições análogas à escravidão no país e os trabalhadores receberam mais de 171 milhões em verbas salariais e rescisórias.
"É importante dizer que o resgate é muito feito com base em denúncias. Então, enquanto a sociedade também não se conscientiza de que aquilo é um trabalho análogo à escravidão, fica difícil também a gente identificar os casos”, lembra Marina Ferro.
“O trabalho escravo contemporâneo pode ser caracterizado pelo trabalho forçado quando a vontade do trabalhador é prejudicada, viciada, fraudada, como, por exemplo, uma proposta falsa de trabalho. A condição degradante de trabalho que é quando o trabalhador é submetido a condições indignas, como, por exemplo, um alojamento precário, a falta de banheiro, a falta de alimentação, a jornada exaustiva. Temos também a servidão por dívidas, que ocorre muito quando o trabalhador, para chegar naquele local de trabalho, ele já chega devendo”, detalha o coordenador.
As denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas, também de forma anônima, pela internet no Sistema Ipê.