Especial Enem 2026: professor explica método de correção do exame
Radioagência Nacional · Por Oussama El Ghaouri* – Repórter da Rádio Nacional
(há 1 hora)
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As provas objetivas do Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, são corrigidas por meio da TRI, a Teoria de Resposta ao Item, que não soma apenas acertos. O método estima o nível de conhecimento do participante em cada área avaliada, ou seja, a sua proficiência, como explica o professor Renato Júdice, especialista em avaliações educacionais:

"É uma metodologia estatística, utilizada para estimar a proficiência de um estudante a partir das respostas que ele apresenta em uma prova. Numa linguagem simples, a TRI procura responder não apenas quantas questões esse candidato acertou, mas quais ele acertou. Percebam que é uma pergunta mais profunda: qual conjunto de respostas permite concluir sobre os conhecimentos e as habilidades desse candidato?"
O método usa critérios matemáticos pré-definidos para avaliar o nível de cada questão, como detalha Júdice:
"Cada questão é analisada pelos parâmetros de dificuldade, discriminação e acerto casual. Parâmetro de dificuldade mede o quanto aquele item tem a probabilidade necessária para ser acertado. Discriminação: o quanto aquela questão ajuda a separar um aluno que sabe de um aluno que não sabe. E acerto casual é o parâmetro que mede a probabilidade de ocorrer a resposta correta sem um pleno domínio."
Valorização da coerência
A TRI valoriza a coerência do participante que acerta de forma progressiva questões fáceis, médias e difíceis, e não quem, em geral, erra as fáceis e acerta as difíceis.
"Dois candidatos podem acertar, por exemplo, 30 questões das 45 e receber notas diferentes, porque eles não acertaram necessariamente as mesmas questões. Um deles pode ter apresentado um percurso mais regular, acertado as fáceis, algumas médias e poucas difíceis. Enquanto o outro registrou uma irregularidade danada. Consequentemente, a nota desse segundo aluno vai ser menor."
A estudante Gabrielle Emilin Estácio da Silva, de 17 anos, entende como a TRI funciona.
"Uma pessoa que consegue acertar mais itens, ou ela tinha que ter acertado do básico ao difícil, ou ela realmente foi algo mais do chute, ou aquela na escolha a dedo. Então, isso pode diminuir um pouco da questão da nota do próprio candidato."
Também participante do Enem 2026, Guilherme Fernando Lipke, de 18 anos, já tem a estratégia traçada.
"Eu vou marcando. Se eu preciso de mais tempo para resolvê-la, eu boto um 'Tezinho’. E daí eu vou pulando algumas questões, porque eu vou priorizando aquelas que eu já consigo matar logo. Daí eu vou para a redação. Aí, depois que eu fizer a redação, eu volto nas mais difíceis e vou tentando eliminar as opções mais absurdas."
O professor Renato Júdice resume a orientação para os estudantes:
"Eu costumo resumir essa orientação em uma frase: precisão antes do heroísmo. Não faz sentido gastar 15 minutos tentando vencer uma única questão sofisticada e, ao final, descobrir que faltou tempo para aquelas cinco questões mais fáceis que você teria resolvido. É o contrário, você tem que gastar tempo nas questões fáceis primeiro, garantindo que elas sejam bem respondidas."
É possível chutar
O especialista esclarece ainda o que o próprio Inep, instituto que organiza o exame, recomenda quando não for possível resolver a questão:
"Sim, é possível chutar. Quando não há mais condições de resolver a questão, é melhor marcar uma alternativa do que deixá-la em branco. A própria orientação oficial do Inep... uma resposta em branco é corrigida como errada, enquanto que uma resposta correta sempre contribui positivamente para a nota, mesmo que seja pouquinho. Portanto, o candidato não deve entregar a prova com itens sem marcação, nunca."
No fim, a estratégia é administrar o tempo, garantir as questões que o candidato domina, e, depois, fazer o restante da prova. Se possível, não deixe nada em branco.
Na próxima reportagem, vamos falar sobre a prova de Linguagens! Até lá!
*Com produção de Salete Sobreira e sonoplastia de Jailton Sodré
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