Especial Enem 2026: professor dá dicas para prova de redação
Radioagência Nacional · Por Oussama El Ghaouri* – Repórter da Rádio Nacional
(há 1 hora)
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Falta um mês para a primeira rodada de provas do Enem 2026. O Exame Nacional do Ensino Médio acontece nos dias 8 e 15 de novembro em todo o país. No primeiro domingo, são cinco horas e meia para resolver 90 questões objetivas e fazer a redação, assunto desta primeira reportagem.

A prova não cobra grandes temas genéricos, mas um recorte específico, delimitado por textos motivadores, como explica o professor de redação Renato Júdice:
"Em 2024, por exemplo, o tema não foi simplesmente o racismo, mas 'Os desafios para a valorização da herança africana no Brasil'. Ou seja, um texto que discutisse genericamente o preconceito racial, sem tratar especificamente da herança africana, da sua valorização, dos obstáculos envolvidos, poderia aproximar-se do assunto, mas não iria responder integralmente ao recorte solicitado".
Com os textos, os estudantes dependem menos de informações decoradas para cumprir cinco grandes tarefas, como detalha o professor Júdice:
"Compreender o recorte exato do tema, defender um ponto de vista, selecionar e organizar argumentos, conectar as ideias com coerência e coesão e, por fim, apresentar uma proposta de intervenção social que respeite os direitos humanos. Repare que essas tarefas correspondem exatamente às cinco competências da matriz de correção. Cada uma delas vale de 0 a 200 pontos, ou seja, a redação pode alcançar, no máximo, 1.000 pontos".
Estrutura
Para organizar a redação dissertativa-argumentativa, Renato sugere uma estrutura prática de texto:
"Quatro parágrafos. Uma introdução que apresente o tema e a tese. Dois parágrafos de desenvolvimento, cada um aprofundando uma dimensão diferente do problema. E uma conclusão com a proposta de intervenção".
Esse último parágrafo é o que preocupa alguns candidatos, como a estudante Rebeca Miranda do Nascimento, de 18 anos.
"O problema da redação do Enem é a conclusão. Porque a gente tem que propor uma proposta que resolva o problema, sabe? Então, isso, para mim, é uma parte que eu tenho dificuldade. Estou procurando modelos de redação nota 900, 900 mais, porque a gente pode adaptar uma conclusão para todos os temas".
A proposta de intervenção exige detalhamento, como explica o professor Júdice:
"Dizer assim: 'ah, a sociedade precisa mudar', ou então 'o governo tem que tomar providências'. Gente, isso não configura, por si só, uma proposta consistente. O estudante tem que indicar o que será feito, por quem, por qual meio, com qual finalidade e, sempre que possível, oferecer um detalhamento que torne essa ação plausível. Ou seja, a redação do Enem é um exercício de cidadania intelectual. O estudante precisa ler um problema público, assumir uma posição responsável e demonstrar que consegue transformar diagnóstico em proposição".
Principais erros
O professor Júdice menciona alguns dos principais erros dos candidatos:
"A fuga ou o tangenciamento do tema. Na fuga, quando o candidato escreve sobre outro assunto. No tangenciamento, ele aborda apenas parte. Repertório ornamental. O candidato cita a Constituição, filósofos, séries, mas apenas para parecer culto. A referência aparece, mas não trabalha a favor do argumento. Falta de progressão. O aluno produz parágrafos de desenvolvimento, mas repete a mesma ideia com palavras diferentes neles."
Para iniciar as provas, o ideal é usar a estratégia que funcionou nos simulados. O estudante Levi Nasser Mariano, de 17 anos, já definiu a dele:
"Normalmente, eu escolho as matérias que eu tenho mais facilidade de fazer. Eu vou meio que selecionando as questões e faço as que eu tenho certeza, que eu tenho uma chance boa de acertar a questão. Tento resolver elas primeiro e, depois que acabar essas, eu vou para a redação. Acabando o tempo da redação, para fazer a redação num tempo hábil, eu vou para as que eu deixei sobrando da prova, para conseguir fazer."
O professor Renato Júdice só lembra que o rascunho do texto precisa ser o mais completo possível. Depois, é voltar e passar para a folha definitiva. Ele destaca ainda que a estratégia mais eficiente nesta reta final é estudar em ciclos de produção de textos.
"Planejamento, escrita, correção, reescrita. Uma ou duas redações completas por semana, bem corrigidas e com a reescrita feita, podem produzir muito mais aprendizagem do que muitos textos feitos sem devolutiva."
É importante também fazer simulados.
"Reproduzir o máximo possível as condições reais de tempo, escrita à mão, com 90 questões de Linguagens e Ciências Humanas nas mesmas cinco horas e meia, com pausas e passagem para a folha definitiva. Pessoal, isso faz muita diferença."
Uma última dica é ler a cartilha do Enem 2026 da organização do exame, disponível em gov.br/inep.
Na próxima reportagem, o assunto é a TRI, a Teoria de Resposta ao Item, usada na correção das provas objetivas. Até lá!
*Com produção de Salete Sobreira e sonoplastia de Jailton Sodré
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