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Cultura

Elas em campo: futebol, paixão e resiliência

TV Brasil · Por suzana.alves

(há 2 dias)

Publicado originalmente em TV Brasil ↗ · Uso: Reprodução autorizada mediante indicação da fonte (Termos de Uso da EBC, item 1.e)

Imagem: TV Brasil
Notícias Caminhos da Reportagem 05/10/2026 - 23:00

Daqui a menos de um ano, em junho de 2027, oito cidades brasileiras sediarão jogos da primeira edição de uma Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul, recebendo 32 seleções de todo o mundo. A grandiosidade do evento reforça a importância do debate sobre o futebol feminino e demonstra que, ainda que estejamos evoluindo na modalidade, ainda há desafios a serem superados. Se a geração das primeiras jogadoras a nos representar na Seleção não tinha salários e recebia apenas uma ajuda de custo, inclusive nos seus clubes, hoje já existem várias competições nacionais e internacionais e mesmo de categorias de base, com um cenário consolidado de jogos. Se antes era preciso conciliar a paixão pelos campos com outros trabalhos, hoje já existe toda uma cadeia de mulheres atuando profissionalmente em cada etapa da modalidade, dentro e fora das quatro linhas. Apesar disso, ainda há machismo e preconceito, e competições de várzea feminina ou espaços de formação e treinamento exclusivos para meninas são raros e surgem de iniciativas pontuais. 
 

Times de várzea se preparam para a partida


Times de várzea se preparam para a partida - Divulgação/TV Brasil


Na semana em que coroamos mais uma equipe como vencedora do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, com grandes torcidas enchendo estádios e apoiando suas atletas, é preciso lembrar que, se uma mulher quisesse jogar bola entre os anos 1940 e meados de1980 no Brasil, ela era proibida por lei de praticar esse esporte, sob a justificativa de que teria sua saúde física prejudicada. Hoje, no entanto, apesar das resistências que surgem inclusive dentro das próprias famílias e de toda a sociedade, já é possível ver meninas e jovens sonhando com uma carreira no esporte, ou mesmo desejando simplesmente jogar bola, seja por amor ou diversão, em diferentes fases da vida. 
 

Equipe feminina em ajustes técnicos no intervalo do jogo


Equipe feminina em ajustes técnicos no intervalo do jogo - Divulgação/TV Brasil


Também já é possível reconhecer e reverenciar toda uma geração de pioneiras que pavimentaram esse caminho e são referências da potência que ainda podemos nos tornar, algumas inclusive ainda trabalhando pela modalidade mesmo após oficialmente 'pendurarem as chuteiras'. Márcia Honório, uma dessas precursoras na Seleção Brasileira e que fez parte da primeira equipe a representar o Brasil em uma Copa do Mundo, conta sobre a emoção desse momento. "Quando você pega um telegrama daquele e se vê convocada, e quando você está fora do seu país e você vê aquele hino nacional, é emocionante até hoje. [nos jogos] A gente gostava e tinha uma garra, uma vontade de querer ganhar para chegar no seu país e falar assim: 'ó, agora vocês precisam ajudar o futebol feminino'".  
 

Márcia Honório da Silva - ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol


Márcia Honório da Silva - ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol - Divulgação/TV Brasil


A equipe do Caminhos da Reportagem conversou com especialistas, atletas e ex-atletas, gestoras, jogadoras da várzea, empreendedoras, meninas e mulheres que vivem e, acima de tudo, amam o futebol. Elas contam como está a modalidade hoje, os desafios já superados e as expectativas para o que as próximas gerações encontrarão. A ex-jogadora Formiga, recordista absoluta em tempo de atuação e em número de vezes representando o Brasil em Copas do Mundo, reconhece a importância desse pertencimento dentro da categoria: "Eu passei de Miraíldes, a Mira, da família e dos amigos, para Formiga. E aí que eu vim entender que não só a Miraíldes jogava futebol, existiam outras mulheres que também passaram o mesmo ou pior, que eu não era a única mulher no mundo estranha, que até então eu me achava um ser humano estranho, por ser a única menina ali que jogava realmente futebol no meio dos meninos". 
 

Formiga - ex-jogadora da seleção brasileira


Formiga - ex-jogadora da seleção brasileira - Divulgação/TV Brasil


Nessa mesma linha, a jornalista Milly Lacombe lembra da importância dessa participação coletiva nos processos: "Eu acho que a principal mudança é a ideia de que a gente, juntas, consegue coisas, sozinha ninguém consegue nada. Então, a ideia de que a luta da (tirar o da) pela emancipação feminina não se separa da luta do (tirar o do) pelo futebol feminino. Então, eu diria que essa consciência de que a gente é classe, de que a gente é um grupo, de que a gente vai juntas. Eu acho isso muito bonito no futebol feminino, o futebol feminino tem uma história de amor que o masculino não tem", finaliza. 

Milly Lacombe - jornalista, escritora e roteirista


Milly Lacombe - jornalista, escritora e roteirista - Divulgação/TV Brasil


O momento é de otimismo e de maior espaço para a modalidade, inclusive por conta da Copa no Brasil, e as entrevistadas imaginam um futuro com ainda mais desenvolvimento para o futebol feminino. A treinadora de times da várzea Lu Leal conta o que espera para as novas gerações: "Meu maior sonho é ver as atletas que estão batalhando para alcançar o objetivo chegarem, ganharem e terem oportunidades. É o que elas merecem." 

Lu Leal - treinadora de futebol do Grêmio Esperança


​​​​​​​Lu Leal - treinadora de futebol do Grêmio Esperança - Divulgação/TV Brasil

 
O Caminhos da Reportagem "Elas em campo: futebol, paixão e resiliência" será exibido na próxima segunda-feira, 5 de outubro, às 23 horas, na TV Brasil. No próximo mês, esse assunto será retomado em outro programa que tratará das condições e do cenário do futebol feminino enquanto profissão e possibilidade de carreira para jovens mulheres.  

Ficha técnica 

Reportagem: Ana Graziela Aguiar 
Produção: Acácio Barros e Thiago Padovan 
Apoio à reportagem: Ana Passos e Cintia Vargas 
Reportagem cinematográfica: Cadu Pinotti e JM Barboza 
Apoio à reportagem cinematográfica: Alexandre Nascimento, Gabriel Penchel e Rogerio Verçoza 
Auxílio técnico: Maurício Aurélio e Rafael Carvalho 
Colaboração técnica: Hugo Madureira e Yuri Freire 
Edição de texto: Acácio Barros e Carolina Pavanelli 
Edição e finalização de imagem: Rodrigo Botosso 
Arte: Aleixo Leite, Carol Ramos e Wagner Maia 
Pesquisa de Acervo: Fábio de Albuquerque

01/10/2026 - 17:20

   

Tags:  Caminhos da Reportagem futebol feminino

Ler no site da fonte: TV Brasil ↗