Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea – 6: resultados sobre a evolução temporal das trajetórias de desmatamento
Amazônia Real · Por Philip Martin Fearnside
(há 1 hora)
Publicado originalmente em Amazônia Real ↗ · Uso: CC BY 4.0 nos Termos de Uso; o rodapé das matérias cita CC BY-ND 4.0

Por Beatriz Figueiredo Cabral, Aurora Miho Yanai, Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça, Maria Isabel Sobral Escada, Cláudia Maria de Almeida e Philip Martin Fearnside
A evolução temporal das trajetórias durante os três intervalos entre 2008 e 2021 (ou seja, de 2008 a 2013, de 2013 a 2017 e de 2017 a 2021) é ilustrada na Figura S1. As trajetórias de mudança (ou seja, “consolidação” e “expansão”) e a trajetória “consolidada” sem mudança (ou seja, células que mantiveram o padrão consolidado) apresentaram frequências semelhantes, com um ligeiro aumento ao longo dos anos para as trajetórias de consolidação e expansão, mas permaneceram inferiores ao número de células com as trajetórias difusas e “outras” (ou seja, células que mantiveram padrões espinha de peixe, lineares ou multidirecionais nos períodos analisados).

Tanto as células com a trajetória de “consolidação” quanto as células com a trajetória de “expansão” apresentaram aumentos no desmatamento, e as áreas de desmatamento acumulado em ambas as classes aumentaram ao longo dos anos (Tabela 4). No entanto, a contribuição para o desmatamento em Lábrea proveniente de áreas em processo de consolidação foi maior do que nas áreas em expansão em todos os três períodos.
O maior aumento na área desmatada para ambas as trajetórias (“consolidação” e “expansão”) ocorreu entre os dois últimos períodos (ou seja, entre 2013 e 2017 e entre 2017 e 2021), com o desmatamento acumulado decorrente da consolidação aumentando 2,7 vezes entre 2013 e 2017 e 2,4 vezes de 2017 a 2021. A trajetória de expansão apresentou crescimento semelhante entre 2013 e 2017 (aumento de 2 vezes) e de 2017 a 2021 (aumento de 1,6 vezes). Isso indica que a velocidade com que as áreas estão passando por consolidação é semelhante à das áreas em expansão.

As trajetórias sem mudança, classificadas como difusas e “outras”, apresentaram comportamentos semelhantes em relação à frequência de células e à porcentagem de desmatamento, diminuindo do valor inicial de 64,6% em 2013 para 41,7% em 2021 (Tabela 4). No entanto, a relação entre a proporção de células e a proporção de desmatamento diferiu entre essas classes. As células com a trajetória “outras” foram responsáveis pela maior parte do desmatamento em Lábrea (Tabela 4).
As frequências dos padrões com suas respectivas proporções de desmatamento em células classificadas na trajetória “outros” (ou seja, porção de não mudança nos padrões espinha de peixe, geométrico, linear e multidirecional) são apresentadas na Figura 5. Os padrões geométrico e multidirecional tiveram as maiores contribuições para o desmatamento observado nessa trajetória, de modo que o padrão geométrico diminuiu enquanto a porcentagem de células e área desmatada no padrão multidirecional aumentou. Isso pode indicar que o desmatamento aumentou em células com o padrão geométrico, fazendo com que elas deixassem de fazer parte da trajetória de não mudança e passassem a apresentar padrões de desmatamento em estágios mais avançados de ocupação (ou seja, houve um aumento do desmatamento em células com padrão geométrico que mudaram para os padrões multidirecional ou consolidado, observando-se que no período analisado seguinte havia um número menor de células com o padrão geométrico e uma porcentagem menor do desmatamento representada por elas).

Para os padrões linear e espinha de peixe, as proporções de área desmatada variaram de 9,3% a 22,5%, com dinâmicas distintas ao longo do tempo (Figura 5). Observou-se um aumento na área desmatada para o padrão espinha de peixe, representando 22,2% da área total desmatada no último período, o que corresponde a 90,6 mil hectares (Tabela 4). As células que mantiveram o padrão linear, apesar de apresentarem maior frequência do que o padrão anterior, tiveram uma redução na área desmatada ao longo dos anos (Tabela 4). Ambos os padrões estão principalmente relacionados aos estágios iniciais e intermediários de ocupação, com mudanças para padrões mais avançados sendo frequentes ao longo dos anos. [1]
Notas
[1] Esta série traduz o trabalho Cabral, B.F., A.M. Yanai, P.M.L.A. Graça, M.I.S. Escada, C.M. de Almeida & P.M. Fearnside. 2024. Amazon deforestation: A dangerous future indicated by patterns and trajectories in a hotspot of forest destruction in Brazil. Journal of Environmental Management 354:art. 120354.
Sobre os autores
Beatriz Figueiredo Cabral possui graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Lavras e mestrado em Ciências de Florestas Tropicais (CFT) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Atualmente é doutoranda em CFT no INPA, onde desenvolva uma tese sobre “Projeções para a Expansão da Fronteira Amazônica: Simulação do Desmatamento e da Degradação Florestal sob Futuros Cenários Climáticos”. Ela tem experiência em análise e manipulação de dados de sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica, programação nas linguagens R e Python e simulação do desmatamento no software Dinamica-EGO para análises espaço-temporais na Amazônia.
Aurora Miho Yanai é engenheira florestal pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e tem mestrado e doutorado pelo Inpa em ciências de florestas tropicais. Atualmente é pesquisadora no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde ela continua suas pesquisas iniciadas como pós-doutoranda no mesmo instituto trabalhando com modelagem de desmatamento na região Trans-Purus. Ela tem experiência na análise e modelagem de desmatamento no sul do Amazonas.
Paulo Maurício Lima de Alencastro Graça é doutor pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele tem mestrado em ciências florestais pela Universidade de São Paulo, (USP-Esalq) e graduação em Engenharia Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Ele é pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), atuando junto ao laboratório de agroecossistemas. Ele tem publicado artigos sobre mapeamento de exploração madeireira utilizando técnicas de sensoriamento remoto, modelagem espacial do uso da terra, impacto do desmatamento, e eficiência de queima de biomassa florestal, entre outros.
Maria Isabel Sobral Escada possui doutorado e mestrado em sensoriamento remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e graduação em ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Ela é pesquisadora na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática da Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), São José dos Campos, São Paulo. Ela atua nos seguintes temas: monitoramento de floresta por satélite, análise da paisagem e de padrões e processos mudança de uso da terra com técnicas de processamento de imagens, mineração de dados e análise espacial, técnicas aplicadas a estudos sobre degradação florestal, desmatamento, regeneração, atividades econômicas associadas ao uso e cobertura da terra e saúde.
Cláudia Maria de Almeida possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – USP, Mestrado em Infrastructure Planning pelo Centre for Infrastructure Planning, Universität Stuttgart, Alemanha, e Doutorado em Sensoriamento Remoto pela University College London, Inglaterra / Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Tem experiência na área de Sensoriamento Remoto aplicado ao Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Técnicas de Previsão e Avaliação Urbana e Regional, atuando principalmente nos seguintes temas: Modelagem Dinâmica Espacial, Modelos de Autômatos Celulares, Sensoriamento Remoto de Alta Resolução Espacial, Análise de Imagens Baseada em Objeto e Geoinformação.
Philip Martin Fearnside é doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan (EUA) e pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), onde vive desde 1978. É membro da Academia Brasileira de Ciências e pesquisador 1A de CNPq. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Tem mais de 850 publicações científicas e mais de 850 textos de divulgação de sua autoria que estão disponíveis aqui.
O post Desmatamento e um futuro perigoso em Lábrea – 6: resultados sobre a evolução temporal das trajetórias de desmatamento apareceu primeiro em Amazônia Real.