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Cultura

Das telas às urnas: a força do engajamento digital nas eleições 2026

TV Brasil · Por pollyane.marques

(há 1 hora)

Publicado originalmente em TV Brasil ↗ · Uso: Reprodução autorizada mediante indicação da fonte (Termos de Uso da EBC, item 1.e)

Notícias

Repórter Brasil 06/10/2026 - 19:00

Política se decide nas ruas ou nas redes sociais?

Fala recente da deputada Ana Elisa (PT-MG), eleita com mais de 500 mil votos, que afirmou que a eleição atual se ganha "nas telas" e que dominar as redes sociais tornou-se tão ou mais importante do que fazer os tradicionais comícios de rua.

Em São Paulo, os nomes mais votados mostram essa força. Seguidores se convertem em votos: Lucas Pavanato (PL), sai da Câmara de Vereadores da capital para a Câmara Federal, em Brasília, com mais de 3 milhões de votos. Erika Hilton (Psol), se manteve na Câmara Federal e agora como a mulher mais votada da história da casa: mais de 1,5 milhão de votos.

"A mensagem digital corre muito mais rápido, por isso que parece que ela tem esse peso maior do que essa mobilização tradicional. Mobilização tradicional, nesse caso, ele é... ele serve mais como uma mensagem pra população dizendo: 'Olha, tem gente comigo, eu represento essas pessoas, você consegue se identificar com essas pessoas? Então você tá comigo'”, diz Daniel Kei Namise, pesquisador em Comunicação Política. 

Nikolas Ferreira, reeleito deputado federal pelo PL de Minas Gerais, consolidou sua base essencialmente como um político nativo das redes sociais. A candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo, Eduarda Campopiano, também do PL e também nativa das redes, teve quase 2 milhões de votos. 

O fenômeno ultrapassa fronteiras e formatos. Na Argentina, Javier Milei se projetou pelas redes e, nos Estados Unidos, Donald Trump compreendeu tão bem a relevância digital que criou a própria plataforma para manter a base mobilizada.

“Trump, Milei e o Flávio, eles conseguiram manter essa base fiel justamente pra, quando entrou no período de eleição, essa base também trabalhar pra eles e expandir a mensagem deles por um espaço geográfico muito maior do que simplesmente o boca a boca não conseguiria, no caso”, explica o pesquisador. 

O resultado das urnas tirou do jogo lideranças históricas com décadas de vida pública, militância nas ruas e ampla experiência legislativa, abrindo espaço para bancadas mais jovens e focadas na comunicação instantânea. E o que isso pode mudar no trabalho legislativo, na produção de leis?

“Esses influenciadores digitais, muitas vezes eles acabam dando mais prioridade ao trabalho digital deles, justamente porque é isso que garante a reeleição deles. E é por isso que, muitas vezes, os próprios projetos que eles levam pra Câmara acabam não sendo aprovados, não acabam avançando. Por isso que você tem alguns políticos da Câmara que a gente vê eles postando: 'Hoje eu apresentei a lei X'. Mas essa lei X não avança porque eles não fazem do trabalho que é... vamos dizer assim, é dos bastidores”, destaca Namise. 

06/10/2026 - 20:00

   

Tags:  eleições 2026 engajamento redes sociais parlamentares eleitos

Ler no site da fonte: TV Brasil ↗