Amazônia Real tem um lado: defesa das populações, da liberdade e da democracia
Amazônia Real
(há 2 horas)
Publicado originalmente em Amazônia Real ↗ · Uso: CC BY 4.0 nos Termos de Uso; o rodapé das matérias cita CC BY-ND 4.0
Em um momento climático crítico vivenciado pelas populações amazônicas e pelo risco de ascensão de um candidato à presidência da República declaradamente anti-indígena, anti-ambiental e anti-liberdade de expressão, a agência de jornalismo independente e investigativo Amazônia Real vem reafirmar seu posicionamento de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A Amazônia Real tem um lado e a escolha não interfere em nossa linha editorial, no nosso código de ética e nem na transparência do nosso veículo junto aos leitores.
Temos um lado porque estamos diante de uma eleição decisiva, que norteará nosso futuro e nossa sobrevivência. A proteção da região amazônica e de seus povos depende desta escolha.
Nunca na história recente estivemos tão afetados pelas emergências climáticas e, ao mesmo tempo, ameaçados por uma política de escala global da extrema-direita que pode eliminar direitos sociais, ambientais e políticos conquistados arduamente ao longo das últimas décadas no Brasil; possível graças à atuação de governos do campo progressista.
Diante de uma perspectiva de ameaças à democracia, de censura política e ataques à liberdade de imprensa, jamais estaríamos ao lado de quem alimenta uma perspectiva política autoritária e intervencionista. Apenas na democracia podemos investigar, ouvir, reportar e escrever sem sofrer intimidações.
Um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), que promete “mudar a Constituição e redemocratizar esse país”, sendo que vivemos em uma democracia desde 1988, pode transformar o Brasil uma dinastia familiar de consequência duradoura.
Esse autoritarismo deslegitima nossa autodeterminação e intensifica violência contra lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas, mulheres, crianças e adolescentes, defensores e ativistas ambientais e pessoas LGBTQIAPN+.
A história e a experiência de muitos países mostram que os retrocessos políticos mais drásticos afetam principalmente as populações em condição de vulnerabilidade, exacerbando a desigualdade e os conflitos. Há riscos reais de se implantar uma atmosfera de violência, repressão e intimidação contra os povos da Amazônia brasileira, como já vem acontecendo em nossos países vizinhos.
Os jornalistas estão entre os profissionais que mais sofrem perseguições por estes regimes, como temos visto em países da América Central e da América do Sul, sobretudo desde a subida de governos da extrema-direita nos últimos anos: retaliações, assédio públicos e perseguições judiciais.
A Amazônia Real é uma mídia que nasceu há 13 anos e produz jornalismo ouvindo as lideranças amazônicas, influenciando e pautando outros veículos da imprensa. Nosso compromisso ético é com estes grupos sociais. Não aceitamos interferências, imposições de interesses políticos e econômicos e qualquer espécie de censura.
Nosso jornalismo e nossa equipe de profissionais vivenciam, na prática, o que relatam nas histórias. Também sofremos com o calor extremo, com a seca, com as altas temperaturas, com a fumaça, com o desmatamento, com a crise climática e com as ameaças aos direitos humanos e territoriais.
Rejeitamos quaisquer obstáculos à livre manifestação e expressão, como já se identifica antes mesmo do segundo turno das eleições presidenciais, conforme notícias divulgadas nesta semana: big techs favorecendo uma das candidaturas (a de Flávio Bolsonaro), possível interferência dos Estados Unidos nas eleições, parcialidade do judiciário eleitoral em censurar a campanha de Lula nas redes sociais, etc.
Um dos aspectos mais graves de governos de extrema-direita é o negacionismo ambiental. Os governantes desacreditam avisos sobre alterações climáticas e incentivam a exploração indiscriminada dos recursos naturais.
A Amazônia Real, com sede em Manaus, não esqueceu a negligência e o descaso com que a população amazonense foi tratada durante a pandemia da covid-19 na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Ainda dói lembrar daquele período de mortes por falta de oxigênio.
Também não ignoramos os incêndios florestais que têm destruído milhares de hectares de floresta na região amazônica e, em especial no Amazonas, mesmo diante dos olhos das autoridades estaduais que apoiam a linha política da direita e que atuam com total inércia.
Temos um posicionamento crítico em relação a muitos projetos do governo Lula, como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, a possibilidade de privatização do rio Tapajós e a construção do Ferrogrão, obra que impactará terras indígenas e quilombolas. Mas também não podemos negar que conseguimos desenvolver um jornalismo de denúncia sem risco de perseguições vindas de seu governo.
Como resultado da luta dos povos originários, Lula criou o Ministério dos Povos Indígenas e voltou a fortalecer as instituições de fiscalização de crimes ambientais. Se posicionou contra o marco temporal e retomou a demarcação das terras indígenas. Manteremos em um eventual governo Lula a mesma postura de defesa dos direitos dos povos amazônicos, da natureza e da biodiversidade.
Seguindo a abordagem de seu pai – que cumpriu com a promessa de não demarcar um centímetro de terra indígena-, Flávio já sinalizou que pretende enfraquecer ou extinguir órgãos que atuam na defesa da floresta, tais como Ministério do Meio Ambiente e Ministério dos Povos Indígenas, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), ICMBio e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Sabemos que ao nos posicionarmos também estamos nos colocando em risco e podemos ser hostilizados por apoiadores do bolsonarismo, uma vez que nosso campo de trabalho é a própria Amazônia. A vingança e a retaliações são práticas frequentes da extrema-direita.
Somos amparados por legislações nacionais e tratados internacionais que nos garantem autonomia e liberdade para rejeitar ações que nos impactarão. São mecanismos de proteção resultado de muita luta e que foram mantidos e legitimados no governo Lula.
A Amazônia Real é uma mídia independente da região Norte que luta pela transformação social. Que reporta as notícias com objetividade, com profissionalismo, mas não com neutralidade.
Fazer jornalismo na Amazônia é um exercício de alto risco. Pode piorar em um eventual governo autoritário, com ataques sistemáticos no ambiente digital, campanhas de difamação e desinformação.
Mesmo assim, a Amazônia Real decidiu se posicionar: estamos juntos dos povos da Amazônia e ao lado da Democracia, da Liberdade de Expressão e Liberdade de Imprensa.

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