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Cultura

Abstenção no 2º turno é a menor em 20 anos; idosos fazem diferença

TV Brasil · Por pollyane.marques

(há 2 horas)

Publicado originalmente em TV Brasil ↗ · Uso: Reprodução autorizada mediante indicação da fonte (Termos de Uso da EBC, item 1.e)

Notícias

Repórter Brasil 26/10/2026 - 19:00

Enquanto no primeiro turno das eleições a abstenção bateu recorde, com mais de 33 milhões de pessoas deixando de comparecer às urnas, no segundo turno, a taxa foi a menor dos últimos vinte anos. Quase três milhões de pessoas a mais se mobilizaram, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A queda nos votos brancos e nulos foi outra característica importante da votação deste segundo turno.

A abstenção no segundo turno foi a menor em duas décadas. Cerca de 30 milhões e meio de eleitores deixaram de votar, pouco mais de 19% do eleitorado. Na comparação com o primeiro turno, a eleição deste domingo teve três milhões de votantes a mais. Dos cerca de 158,7 milhões de eleitores, quase 81% estiveram presentes. A queda contraria o padrão histórico de aumento da abstenção no segundo turno.

Na divisão por estados, a maior abstenção foi no Acre, onde o índice ficou em 26%. Já a menor foi no Ceará, onde a abstenção ficou em menos de 14%.

Também houve queda nos votos nulos e brancos. No 1º turno, foram 5.975.047, ou 4,77%. Já no 2º turno, foram 4.153.801, ou 3,24%. Ou seja, cerca de 1,8 milhão de votos nulos e brancos a menos no segundo turno.

Mesmo sem a obrigatoriedade do voto, a presença de idosos acima dos setenta anos foi um dos destaques dessas eleições. Muitos foram os exemplos também de quem foi, mesmo com mobilidade reduzida, votar neste segundo turno. Uma mobilização que fez diferença.

Voto dos idosos

A idade não impediu esses eleitores de participar. Nas redes sociais, vídeos de idosos indo às urnas mostram que, para muitos, votar continua sendo um compromisso. No Brasil, o voto é facultativo a partir dos 70 anos. Mas há quem faça questão de comparecer, mesmo diante das dificuldades de mobilidade. Rosemeire de Oliveira se organizou para levar o marido às urnas. Ele tem atrofia de múltiplos sistemas, uma doença degenerativa, e hoje precisa de um andador para se locomover.

Dona Odelina de Freitas, de 94 anos, vota há décadas. O gosto pela política veio também do marido, seu Antônio, que morreu em 2013 e incentivava a família a participar das eleições. “Eu gosto de votar para ajudar o país”, afirma ela. 

Ela conta que nunca pensou em desistir, em uma resposta direta para quem pergunta até quando ela pretende continuar votando. “A pessoa está andando, trabalhando, sai, vai passear, andando… Tem obrigação de ajudar o país”, acredita dona Odelina. 

Em todo o país, cerca de dezessete milhões de eleitores acima dos 70 anos estavam aptos a votar nas eleições deste ano. Um aumento de 15%, na comparação com 2022. No primeiro turno, o comparecimento foi de quase metade desse grupo. Apesar de os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral sobre o eleitorado no segundo turno ainda não terem saído, já é certo dizer que essa população marcou novamente presença nesse domingo. É um grupo que já passou por diferentes momentos políticos do país e que sabe da importância do voto.

"De fato a gente vivenciou um momento histórico, em que houve um grande protagonismo das pessoas idosas, isso precisa ser reconhecido. E, principalmente, eu acho que assim, essas pessoas idosas, elas demonstraram que ser dependentes para chegar em algum lugar, não é impedimento para exercer a sua autonomia, a sua cidadania e o seu direito de escolha”, destaca Heloísa Ferreira, professora do departamento de Cognição e Desenvolvimento da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. 
 

26/10/2026 - 20:25

   

Tags:  abstenção eleitoral eleições 2026

Ler no site da fonte: TV Brasil ↗

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