Colisão entre trens de alta velocidade deixa ao menos 68 mortos na Espanha; falha em sistema de segurança é investigada
Trem da Renfe atingiu composição parada da Iryo perto de Toledo depois de pane no sistema LZB; ministro chama de inexplicável a liberação do trem, e uma brasileira está entre os feridos

Atualizada às 17h30 de 28/10/2026 (horário de Brasília). Os números de vítimas ainda podem mudar.
Ao menos 68 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas nesta quarta-feira (28) na colisão entre dois trens de alta velocidade perto da estação de Urda, na província de Toledo, cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri, na Espanha. O balanço foi divulgado por Esther Padilla, porta-voz do governo regional de Castilla-La Mancha. É o assunto mais noticiado do dia: o Brasil360 contou mais de 70 veículos brasileiros cobrindo a tragédia.
Segundo as autoridades espanholas, um trem da estatal Renfe atingiu a traseira de um trem da empresa Iryo que estava parado na estação de Urda, na linha de alta velocidade que liga Madri à Andaluzia.
O que se sabe sobre a causa
As primeiras explicações vieram do ministro dos Transportes, Óscar Puente, segundo a imprensa espanhola (The Objective, Xataka e Zamora News):
- Às 8h32 (horário local), o LZB, sistema automático de segurança que controla a velocidade e o espaçamento dos trens na linha Madri–Sevilha, parou de funcionar no trecho de Urda. Seis trens ficaram parados num trecho de cerca de 90 quilômetros.
- Depois disso, a central de controle da Adif, a gestora da rede ferroviária, autorizou o trem da Renfe a retomar a marcha "com normalidade". Puente classificou a decisão como "errônea" e "inexplicável", segundo o Estadão e a imprensa espanhola.
- O trem percorreu cerca de 25 quilômetros, chegou a cerca de 200 km/h e colidiu com a composição da Iryo. Segundo o ministro, passaram ao menos 15 minutos entre a ordem e o choque, e o maquinista de outro trem parado questionou uma ordem parecida.
A investigação oficial ainda está em andamento, e as causas não foram oficialmente estabelecidas. O primeiro-ministro Pedro Sánchez prometeu que a apuração "irá até o fim", segundo a RFI e o UOL. O sindicato CSIF afirmou que houve uma falha informática inicial e pediu a renúncia de Puente por apontar um trabalhador como culpado. O ministro descartou deixar o cargo.
Brasileiros
Uma brasileira ficou ferida, segundo O Globo. O Itamaraty informou que recebeu a notícia "com profunda consternação" e que acompanha a situação por meio dos consulados do Brasil na Espanha, para prestar assistência a brasileiros eventualmente afetados.
O impacto no país
- A Adif suspendeu a circulação dos trens de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia, sem previsão de retorno.
- A Federação Espanhola de Futebol adiou os 24 jogos da Copa do Rei marcados para esta quarta-feira, em solidariedade às vítimas.
O terceiro acidente do ano
A colisão de Urda é o terceiro acidente ferroviário registrado na Espanha em 2026 e o segundo grave com trens de alta velocidade, segundo o Estadão e a Jovem Pan. Em janeiro, o descarrilamento de Adamuz, na província de Córdoba, na mesma linha entre Madri e a Andaluzia, deixou dezenas de mortos. A sequência reacendeu o debate sobre a segurança da rede de alta velocidade espanhola, uma das maiores do mundo. Segundo Puente, o LZB é um sistema "muito testado" que já está em processo de substituição.
Fontes: governo de Castilla-La Mancha, Ministério dos Transportes da Espanha, El País, The Objective, Xataka, Estadão, O Globo, RFI, UOL, Jovem Pan e Itamaraty.
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